BC confirma crescimento da economia
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009
<br> Agência Estado 
Brasília - Apesar de manter a previsão de alta de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado ontem pelo Banco Central (BC) reafirma a retomada de crescimento da economia brasileira após a crise, com a expectativa de crescimento de 16% do crédito no ano e queda recorde da taxa de desemprego para 6,7% em dezembro, de 6,8% no mesmo mês do ano passado. Mas o BC teve que elevar as projeções de crescimento da inflação. Para 2009, a projeção subiu de 4% para 4,1% e, em 2010, de 3,9% para 4,4%.
A mudança nessa projeção agitou o mercado de juros, apesar de a nova projeção do próximo ano estar dentro da margem prevista no regime de metas de inflação, de 4,5% com variação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Um relatório do J.P. Morgan, distribuído de manhã, incendiou o mercado ao avaliar que o BC teria que elevar os juros básicos da economia já em janeiro, e não no fim do ano como era a aposta majoritária.
Durante a divulgação do relatório, o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, mandou um recado ao mercado. Ao ser questionado sobre a elevação da curva de juros futuros nos contratos mais longos, disse que, ''frequentemente, os bancos se posicionam achando que o Banco Central vai mudar sua estratégia, mas eles acabam se decepcionando''.
Ele afirmou que apostas de que a autoridade monetária seria mal sucedida em suas ações também têm gerado prejuízo aos agentes financeiros. ''A desconfiança do compromisso do BC com o regime de metas, em geral, tem dado um resultado ruim'', disse, ao lembrar que o comportamento recente da inflação reafirma o compromisso da instituição com as metas.
Emprego e gastos públicos
Mesquita disse que o mercado de trabalho apresentou ''notável resiliência'' à crise. As razões para esse comportamento, afirmou, foram a estabilidade da economia, inflação controlada, aumento da renda e a pouca sensibilidade à crise no segmento de serviços, que é o que atualmente o que mais emprega no país.
O diretor do BC também comentou que os programas sociais do governo tiveram papel importante no enfrentamento da crise. Segundo ele, os programas de transferência de renda e assistência social como o Bolsa Família ''se mostraram muito efetivos em mitigar os efeitos da crise''
O relatório chama a atenção para a recente expansão de gastos públicos e o fato de que alguns deles são de ''complexa reversão no futuro''.
Mário Mesquita citou os salários como exemplo de dificuldade de reversão. ''Os salários têm uma inflexibilidade de reversão conhecida. Isso não é impossível, mas é complexo'' disse. Mesquita afirmou, porém, que essa decisão de reverter gastos públicos deve ser tomada pela sociedade e pelo governo.
Ele disse que o ideal é que nos próximos anos a economia brasileira tenha menor nível de indexação, de modo a dar maior margem de manobra para a política monetária. ''Isto dificulta a implementação da política monetária, mas não a inviabiliza, como mostra o sucesso dos últimos anos'', afirmou. Ele reiterou a mensagem do relatório de inflação de que o fato de a economia brasileira ser ainda bastante indexada prejudicou a queda da inflação durante a crise e elevou o ''ponto de partida'' dos índices de preços quando houver a retomada mais forte da economia.


