Carmem Murara
De Curitiba
O Banco Central nomeia entre hoje e amanhã a comissão de técnicos que fará o inquérito administrativo nos consórcios paranaenses Ouro Fino (Curitiba) e Apis (Londrina). As duas administradoras de consórcios tiveram a intervenção extrajudicial decretada na última sexta-feira junto com as empresas Assahi Serviços (PE), Conauto Administradora de Consórcios (SP) e Cooperativa de Crédito Rural de Nova Friburgo (RJ).
O liquidante da Ouro Fino e Apis, Valdor Faccio, fará o trabalho de administração dos dois consórcios. Ele começou a levantar os números e os motivos que levaram as empresas a não honrar os compromissos. A situação da Apis é mais complicada, pois a empresa estava há vários meses fechada e não dava satisfação aos clientes. No Procon de Curitiba, há três denúncias contra a empresa.
Os consorciados ainda não sabem se vão ou não receber os produtos. O liquidante orienta para que as pessoas que já receberam as mercadorias continuem pagando e quem ainda não foi sorteado interrompa o pagamento. ‘‘A Ouro Fino tinha cerca de 1.800 consorciados distribuídos em 15 grupos para obter eletrodomésticos, veículos e motos’’, disse Faccio.
A alegação básica dos consórcios para justificar a intervenção foi de que estavam com alto índice de inadimplência e por isso ficaram insolventes. Mas somente a auditoria do Banco Central poderá apurar as verdadeiras razões.
Por enquanto, o liquidante não fala em números relativos a Ouro Fino e Apis. Na sexta-feira, ele passou o dia em Londrina, mas não teve contato com os administradores. Os donos da Apis são os empresários Luciano Reis e Nicolas Dias Palaccia. Nesta semana, Faccio pretende se dedicar ao caso da Ouro Fino, que tinha como proprietários os empresários Osvaldo Ribeiro e Luciano Gullin Ribeiro. Todos foram afastados e ficarão com os bens indisponíveis, conforme comunicado do Banco Central feito ao mercado financeiro, na sexta-feira. Ao todo são 17 ex-administradores e controladores com bens bloqueados para cobrir eventuais prejuízos.
O liquidante dos consórcios paranaenses terá que atuar como se fosse o administrador. Ele venderá bens e cobrará créditos para honrar os compromissos das empresas. A princípio, há o indício de que os consórcios desviaram recursos dos consorciados. A Assahi e o Consórcio Nacional Ouro Fino teriam ainda cometido fraude na escrituração contábil.

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