BC cede e reduz taxa de juros para 16,25% ao ano
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quarta-feira, 17 de março de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Em meio a um bombardeio de críticas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem ceder e reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira para 16,25% ao ano, o menor patamar desde abril de 2001.
A decisão surpreende o mercado, que esperava a manutenção dos juros em 16,5% e o retorno à trajetória de quedas apenas em abril. No entanto, o corte agrada empresários, sindicalistas e até mesmo membros do governo, que podem ganhar dos críticos um período de trégua.
Nas últimas semanas, as pressões para o Copom baixar os juros foram tão intensas que o deputado Waldemar Costa Neto (SP), presidente do PL, um dos mais importantes partidos da base aliada do governo, chegou a defender abertamente a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
A política econômica passou a dividir com o caso Waldomiro Diniz o foco das críticas ao governo Lula no final do mês passado, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a economia brasileira havia encolhido 0,2% em 2003.
De lá para cá, até o PT divulgou documento defendendo mudanças na economia. Além disso, nas últimas semanas diversos índices de inflação mostraram o recuo da inflação em fevereiro e pequenas pressões sobre os preços em março. Por isso, haveria espaço para o corte de juros. A decisão do Copom é particularmente positiva para Palocci, que na última sexta-feira acabou pela primeira vez envolvido no caso Waldomiro juntamente com o ministro da Casa Civil, José Dirceu.
Em depoimento à Polícia Federal, funcionários da Gtech, empresa que presta serviços de loteria para a Caixa Econômica Federal, disseram que Waldomiro, o ex-assessor de Dirceu flagrado pedindo propina, teria tentado beneficiar Rogério Tadeu Buratti, que foi assessor de Palocci quando o ministro ainda prefeito de Ribeirão Preto (SP). Palocci não quis comentar as denúncias.
Por último, a decisão do Copom mostra que o BC poderá ser mais flexível nos próximos meses em relação ao cumprimento da meta de inflação de 5,5% neste ano. A meta tem uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo ou seja, podendo chegar a 8% mas até agora o BC sinalizava que buscaria seu centro.
A ata com todas as explicações do BC sobre a reunião de ontem será divulgada na quinta-feira da próxima semana. O Copom só poderá voltar a mexer nos juros na reunião dos dias 13 e 14 de abril.


