BC baixa juros básicos de 45% para 42%
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Agência Folha 
O Banco Central decidiu baixar os juros básicos da economia a partir de amanhã, de 45% para 42% anuais, na primeira queda da taxa desde a desvalorização do real, promovida em janeiro passado. Esses são os juros que o BC procura manter na média das operações diárias do mercado, a chamada taxa Selic.
A queda da taxa significa, de imediato, menos despesas com a dívida pública. Embora não deva haver efeitos relevantes sobre a atividade econômica, há uma sinalização positiva porque, até então, só era esperada uma queda das taxas no final do primeiro semestre.
Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, o governo baixou os juros porque melhoraram as expectativas sobre a inflação. A inflação teve um pico, mas começa a ser contida por um consumo abaixo dasexpectativas, disse o diretor do BC.
Figueiredo disse que a queda também se deve a boas notícias da economia externa, como a menor volatilidade da cotação do dólar, e da economia interna, como a venda integral de um lote de títulos prefixados feita pelo Tesouro ontem.
Na semana passada, a Fipe reviu para baixo sua expectativa de inflação do varejo. O IPC (Indice de Preços ao Consumidor) deverá fechar em 0,8% em março, contrariando a expectativa anterior de alta de 1,5% nos preços.
Desde a adoção do sistema de câmbio flutuante, em janeiro passado, o controle da inflação passou a ser o principal objetivo perseguido pelas taxas de juros - antes, os juros eram fixados para atrair capital externo.
Em 4 de março, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC elevou preventivamente os juros básicos, de 39% para 45%, devido à expectativa de inflação criada pela desvalorização do real, com avanço nos preços do atacado.
Naquela ocasião, o Copom criou um mecanismo, chamado viés de baixa, que permite ao presidente do BC, Armínio Fraga, baixar os juros sem consultar os demais membros do comitê. Os preços do atacado já estão caindo, disse Figueiredo. Ele disse que o BC também quer evitar que a queda de atividade seja maior que a necessária.
Ele argumentou que hoje a taxa de câmbio sofre muito menos oscilações do que no início do mês. O fluxo de dólares está indo muito bem, disse, referindo-se à entrada de capitais vindos do exterior. Quando os juros subiram, em 4 de março, a taxa de câmbio estava em R$ 2,10. Hoje, fechou em R$ 1,84.
Anteontem o Tesouro vendeu integralmente um lote de R$ 500 milhões de títulos prefixados, que têm a taxa conhecida de antemão, fato que não ocorria desde junho do ano passado, quando ocorreu a primeira turbulência na Rússia.
Com a baixa de juros anunciada hoje, o BC confere um prêmio para os investidores que aceitaram comprar esses papéis. Os títulos foram vendidos por 42,56% na média, acima dos juros básicos que vigoram a partir de hoje.
Figueiredo disse que o governo pretende colocar mais papéis prefixados, mas nega que o BC tenha baixado os juros apenas para recompensar investidores que apostaram favoravelmente ao Tesouro. O BC não premia nem castiga ninguém, apenas adota as políticas que são necessárias, disse.


