O Banco Central arrecadou cerca de R$ 1,5 milhão no primeiro leilão dos imóveis do Banco Bamerindus, que está em liquidação extrajudicial desde março de 1997. Dos 55 imóveis colocados à venda, no último sábado à tarde em Curitiba, 18 foram arrematados. Destes, 12 adquiridos pelo preço mínimo e seis através de lances. O HSBC, grupo inglês que comprou o Bamerindus graças à intervenção do BC, não manifestou interesse em manter nenhum dos imóveis, apesar de ter ido ao leilão com o direito de preferência sobre os demais participantes.
O dinheiro arrecadado sábado vai para uma espécie de fundo financeiro criado pelo BC e administrado pela massa liquidante para pagar os credores que ficaram em prejuízo com o fim do Bamerindus. Amanhã, às 14 horas no Hotel Promenade, na capital, novo lote de imóveis vai a leilão. Dessa vez, são 47 agências, 32 localizadas no Paraná, 10 em Santa Catarina, quatro no Rio Grande do Sul, e uma no Rio de Janeiro. A maioria dos imóveis está locada para o HSBC. Cláudio César Kuss será o leiloeiro, conforme consta no edital de convocação autorizado pelo BC.
A Associação dos Investidores Minoritários do Bamerindus deve acionar ainda hoje seus advogados para, mais uma vez, tentar impedir a realização de novos leilões que, de junho de 1998 até março desse ano, ficaram suspensos por ordem judicial. Os minoritários alegam que os imóveis foram avaliados a preços abaixo dos de mercado, em favor do HSBC. Na última sexta-feira, a Associação tentou cassar a liminar autorizando a venda dos primeiros imóveis. Mas a juíza substituta da 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Tatiana Nogueira, não cancelou o leilão.
O assistente do liquidante, Valdir Frazão, acompanhou o leilão, que durou pouco mais de uma hora. Ele disse que ainda existem cerca de 700 bens a serem vendidos, entre agências, terrenos, casas e apartamentos. Todos pertencentes à massa em liquidação. Frazão informou que os 37 imóveis que não foram vendidos passarão por nova avaliação. ‘‘Houve uma queda nos preços. Precisamos adequar esses imóveis aos novos valores de mercado’’. Para ele, o R$ 1,5 milhão arrecadado com a compra dos 18 imóveis ‘‘está dentro da média’’ que, segundo ele, é de ‘‘25% a 30%’.
O lote mais caro leiloado foi uma agência do Bamerindus em Carazinho, no Rio Grande do Sul. O comerciante Adonai Zanferrari comprou o imóvel por R$ 280 mil. Os mais disputados foram os de Cruz Alta, também no Rio Grande, e de Loanda e Marialva, no Paraná. O primeiro arrematado à vista por R$ 139,2 mil pela Unicred, uma cooperativa de crédito da cidade. O comerciante Rachard Salem comprou o imóvel de Loanda por R$ 113,6 mil, R$ 28 mil acima do preço mínimo. E o dono de farmácia José Luiz Simões, a de Marialva, por R$ 122,4 mil. O preço mínimo foi fixado em R$ 90 mil.
Um dos lances foi efetivado via fax. O comerciante Ezequiel Baldon comprou por R$ 24,4 mil a agência de Barbosa Ferraz. Ele foi o único a manifestar interesse pelo imóvel. As agências dos municípios de Doutor Camargo e de Santo Antônio do Sudoeste - avaliadas respectivamente em R$ 50 mil e em 110 mil - foram compradas à vista, na repescagem e com desconto de 20%, por R$ 40 mil e R$ 88 mil. As regras do leilão de amanhã são as mesmas das em vigor no sábado. A compra pode ser à vista, com desconto, ou até 24 vezes com juros.Albari RosaVendido!Leiloeiro bate o martelo no leilão do sábado: dos 55 imóveis colocados à venda, 18 foram arrematadosLeandro Donatti

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