BC argentino prepara dolarização
Arquivo FolhaPassaportePara o presidente argentino Carlos Menem, toda a América Latina deve adotar o dólar como moeda, como passo decisivo para a entrada na Associação de Livre Comércio das Américas (Alca)Eliminar o peso, e implantar o dólar como moeda nacional. Esta foi a proposta apresentada pelo presidente Carlos Menem na semana passada, coincidindo com a desvalorização do real. Menem, que dois dias antes havia chegado de uma visita oficial aos EUA, encomendava um estudo ao Banco Central argentino e declarava que toda a América Latina devia adotar o dólar como moeda única, como passo decisivo para a entrada na Associação de Livre Comércio das Américas (Alca).
O presidente do BC argentino, Pedro Pou, preparou para Menem um projeto de dolarização que teria como intenção a eliminação das incertezas que surgem quando se especula sobre uma modificação do câmbio. Segundo o documento elaborado por Pou, a dolarização da economia argentina é tecnicamente possível. No entanto, alerta para o fato de que o processo seria longo e complexo, e que deixaria a direção monetária da economia argentina profundamente condicionada ao que acontecesse nos Estados Unidos.
Analistas consideraram a proposta de dolarização como um sinal claro de que o governo não pretende abandonar a paridade dólar-peso, estabelecida desde 1991. Para ser aprovada, a dolarização precisa da aprovação do Congresso argentino, além de um acordo com o Federal Reserve Bank dos EUA.
O economista e prêmio Nobel Milton Friedman declarou ao jornal Pagina 12 que considera a dolarização como desnecessária: Dolarizar não vai melhorar as coisas. O que a Argentina tem que fazer é se agarrar à conversibilidade, que é algo muito bom. Se existe a decisão política de dolarizar, então também deveria existir a decisão política para sustentar o sistema atual. O sistema de conversibilidade da Argentina é equivalente à dolarização. Se eu fosse argentino, seria contra. Dolarizar é uma decisão extrema, muito dura. (A.P.)





