BC argentino intervém para conter alta do dólar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires Pela primeira vez, desde o início da livre flutuação do peso em relação ao dólar, o Banco Central argentino atuou para evitar uma alta da moeda americana. A intervenção, no entanto, não foi confirmada oficialmente. A livre flutuação começou no início desta semana e, desde então, o dólar permaneceu em média cotado entre 2 pesos e 2,05 pesos, para alívio do governo, que temia que se concretizassem as previsões mais dramáticas, que profetizavam uma disparada que levaria o dólar até 3 pesos.
Mas ontem, os rumores de que os exportadores especialmente do setor agropecuário não liquidariam os dólares que tinham, fizeram com que a procura pela moeda americana fechasse em alta. O dólar chegou em média a 2,10 pesos no meio da tarde em algumas casas de câmbio, a cotação chegou até 2,20 pesos. No final do dia, o dólar fechou em 2,05 pesos, retomando o patamar do início da semana.
Proprietários de casas de câmbio explicam que a demanda por dólares aumenta gradualmente, mas a venda da moeda americana não está ocorrendo na mesma proporção dos primeiros dias de livre flutuação. Além disso, uma procura maior de dólares por parte dos importadores estaria causando uma falta de dólares no mercado.
Manobra Para conter esta alta, o Banco Central (BC) argentino realizou uma intervenção indireta, através da operação de cabo, ou seja, transferindo dólares para entidades financeiras no exterior, mais especificamente, em Nova York. A autoridade monetária aumentou, desse modo, o poder de fogo dos bancos para vender dólares no mercado doméstico, sem, no entanto, atuar diretamente no câmbio.
Desta forma, o BC reduziu a pressão no mercado cambial em Buenos Aires. Mas ninguém nega, nem confirma, seguindo orientação do ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, que, no final da semana passada, declarou que o governo manteria as eventuais intervenções no mercado em total segredo de Estado.
O analista da Bolsa portenha, Rafael Ber, afirmou à Agência Estado que só o rumor da intervenção já foi uma notícia em si, já que não houve nenhuma intervenção do BC durante toda a semana. É altamente provável que a intervenção tenha ocorrido, disse. Segundo Ber, a alta do dólar teria ocorrido por causa de rumores afirmando que os exportadores estavam liquidando menos que o previsto.
De acordo com o economista Raúl Ochoa, qualquer intervenção do Banco Central será feita de forma pouco clara. Para ele, a idéia do governo é a de não deixar a moeda americana flutuar acima de 2 pesos. Uma disparada do dólar implicará elevação dos preços dos produtos e isso faria todo o esquema econômico do governo entrar em perigo, já que traria inflação, explica.


