São Paulo - O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, anunciou ontem a criação da taxa preferencial brasileira, que será uma média dos juros cobrados nos empréstimos às empresas que oferecem o menor risco, com classificação de crédito ''AAA''. Essa taxa, que começa a ser anunciada oficialmente em setembro, terá divulgação mensal.
Segundo Tombini, o objetivo é dar mais transparência às taxas cobradas neste segmento e incentivar a concorrência. Ele também explicou que isso vai permitir comparar a taxa preferencial brasileira com as taxas ''prime'' cobradas fora do país neste mesmo tipo de operação.
''Essa taxa vai permitir uma melhor comparação do custo do dinheiro no país em relação a outros países. Esperamos que essa maior transparência fomente a concorrência do sistema bancário'', explicou Tombini. Ele também voltou a dizer que o BC está preparado para agir no caso de agravamento da crise financeira internacional.
Tombini apoiou uma cautela maior do governo quanto ao aumento dos gastos públicos, conforme anuncio do congelamento de gastos. ''Ter uma situação fiscal robusta, ter uma finança pública bem arrumada, é muito importante para enfrentar um cenário mais difícil.''
Responsabilidade fiscal
Um dia após o governo sinalizar que não afrouxará os gastos orçamentários no próximo ano, Tombini voltou a dizer que a responsabilidade fiscal é muito importante nesse momento de agravamento do cenário externo.
Segundo ele, essa nova crise é consequência do alto endividamento do governo dos países desenvolvidos. ''Ter uma situação fiscal robusta, ter uma finança pública bem arrumada, é muito importante para enfrentar um cenário mais difícil.''
De acordo com Tombini, houve uma deterioração das condições econômicas mundiais, mas o cenário não é tão grave como o de 2008, quando estourou a crise financeira mundial. Apesar disso, ele voltou a dizer que o BC está preparado para agir caso o cenário externo piore ainda mais.
Ele lembrou ainda que hoje o Brasil tem US$ 350 bilhões em reservas, US$ 150 bilhões a mais do que em 2008. Além disso, destacou a importância da expansão do mercado consumidor interno para conter os impactos da crise externo no Brasil. Tombini também afirmou que os bancos brasileiros hoje estão menos endividados do que há três anos.

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