BC amplia margem de variação cambial
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Agência Estado 
O Banco Central deu início ontem a um processo de alargamento do intervalo entre o piso e o teto da intrabanda cambial - ou seja, do espaço para variação do câmbio. A idéia é que este intervalo entre o limite mínimo e o máximo que, até agora, estava em 0,44%, chegue a 1% em um ano e fique entre 2,5% e 3% no prazo de 3 anos.
De acordo com o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, a mudança não altera a política cambial. A política cambial continuará a mesma, garantiu. O que nós fizemos foi promover uma flexibilização residual, explicou. Demósthenes disse que não haverá redução do ritmo das desvalorizações cambiais ou aceleração. O ritmo de desvalorização não será alterado, assegurou.
Em novembro do ano passado, segundo a chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), Maria do Socorro Carvalho, o ritmo da desvalorização caiu para 0,59% ao mês. Na época, isso correspondia a um ajuste mensal de R$ 0,0065 na cotação. O BC puxou, então, o ajuste para R$ 0,007 para voltar à desvalorização de 0,62% ao mês. Tanto o ajuste como o ritmo de desvalorização valiam para o piso, o centro e o teto da intrabanda.
Mas como o intervalo entre o limite mínimo e o máximo será agora alargado, a nova política do BC implicará em desvalorizações menores para o piso da intrabanda cambial e maiores para o teto. Em abril, por exemplo, o limite máximo foi corrigido em 0,6567% (ou seja, houve um aumento de R$ 0,0075 na cotação) e o mínimo em 0,5717% (um aumento de R$ 0,0065). Esse ritmo será mantido daqui para a frente até que o intervalo entre as duas pontas atinja 2,5% a 3%, o que deverá ocorrer daqui a três anos.
Mesmo com percentuais diferentes para o piso e o teto, Demósthenes Pinho Neto garantiu que o centro da intrabanda, ou seja, o ponto médio, continuará tendo a mesma correção de 0,62% ao mês que vinha sendo praticada pelo Banco Central até agora.
O ritmo de desvalorização, segundo o diretor do BC, vai ser ditado pelo mercado. Isso porque, havendo grandes entradas de recursos externos no País e o BC sendo obrigado a comprar dólares, a tendência é que a cotação do câmbio mantenha-se perto do piso. Assim, a desvalorização seria mais lenta. Na hipótese de retração dos fluxos, a desvalorização seguirá outro ritmo, pois não serão necessárias tantas intervenções do BC e a cotação ficará próxima do teto. Ou seja, a desvalorização será mais rápida.


