O Banco Central deu início ontem a um processo de alargamento do intervalo entre o piso e o teto da intrabanda cambial - ou seja, do espaço para variação do câmbio. A idéia é que este intervalo entre o limite mínimo e o máximo que, até agora, estava em 0,44%, chegue a 1% em um ano e fique entre 2,5% e 3% no prazo de 3 anos.
De acordo com o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, a mudança não altera a política cambial. ‘‘A política cambial continuará a mesma’’, garantiu. ‘‘O que nós fizemos foi promover uma flexibilização residual’’, explicou. Demósthenes disse que não haverá redução do ritmo das desvalorizações cambiais ou aceleração. ‘‘O ritmo de desvalorização não será alterado’’, assegurou.
Em novembro do ano passado, segundo a chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), Maria do Socorro Carvalho, o ritmo da desvalorização caiu para 0,59% ao mês. Na época, isso correspondia a um ajuste mensal de R$ 0,0065 na cotação. O BC puxou, então, o ajuste para R$ 0,007 para voltar à desvalorização de 0,62% ao mês. Tanto o ajuste como o ritmo de desvalorização valiam para o piso, o centro e o teto da intrabanda.
Mas como o intervalo entre o limite mínimo e o máximo será agora alargado, a nova política do BC implicará em desvalorizações menores para o piso da intrabanda cambial e maiores para o teto. Em abril, por exemplo, o limite máximo foi corrigido em 0,6567% (ou seja, houve um aumento de R$ 0,0075 na cotação) e o mínimo em 0,5717% (um aumento de R$ 0,0065). Esse ritmo será mantido daqui para a frente até que o intervalo entre as duas pontas atinja 2,5% a 3%, o que deverá ocorrer daqui a três anos.
Mesmo com percentuais diferentes para o piso e o teto, Demósthenes Pinho Neto garantiu que ‘‘o centro da intrabanda’’, ou seja, o ponto médio, continuará tendo a mesma correção de 0,62% ao mês que vinha sendo praticada pelo Banco Central até agora.
O ritmo de desvalorização, segundo o diretor do BC, vai ser ditado pelo mercado. Isso porque, havendo grandes entradas de recursos externos no País e o BC sendo obrigado a comprar dólares, a tendência é que a cotação do câmbio mantenha-se perto do piso. Assim, a desvalorização seria mais lenta. Na hipótese de retração dos fluxos, a desvalorização seguirá outro ritmo, pois não serão necessárias tantas intervenções do BC e a cotação ficará próxima do teto. Ou seja, a desvalorização será mais rápida.

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