São Paulo - O Federal Reserve (Fed, o BC americano) efetuou ontem o sexto corte consecutivo de juros desde que deu início a seus esforços para tentar evitar uma recessão nos EUA. A taxa básica de juros do banco caiu 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano -nível em que se encontrava em dezembro de 2004.
Os cinco cortes efetuados antes, no entanto, pouco fizeram para evitar que a atividade econômica americana desacelerasse de modo alarmante: no quarto trimestre, a economia cresceu apenas 0,6%, contra um avanço de 4,9% um trimestre antes.
O corte de juros do Fed não conseguiu estimular os consumidores a continuar gastando, ou mesmo a ampliarem seus gastos - como se viu nas vendas no varejo nos EUA em fevereiro, que caíram 0,6% em fevereiro, mesmo com os juros do Fed tendo passado de 5,25% para 3%. Em janeiro houve uma ligeira alta de 0,4%, mas o dado do mês seguinte praticamente anulou o indicador positivo.
As medidas de política monetária nos EUA - o Federal Reserve (Fed) acabou de reduzir em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros, para 2,25% ao ano, e em mais 0,75 ponto a taxa de redesconto para bancos comerciais, para 2,50% ao ano - ajudam, mas não resolvem o problema da crise econômica naquele país. A avaliação é do economista da MCM Consultores Luiz Rabi, responsável na consultoria pela área externa. O Fed já havia cortado no domingo o redesconto em 0,25 ponto porcentual para 3,25% ao ano. Ou seja, este é o segundo corte desta taxa em menos de três dias.
Para Rabi, ao adotar medidas de afrouxamento monetário, o Federal Reserve, estimula a liquidez, o que barateia o investimento, estimula, de alguma forma, a tomada de empréstimo e, consequentemente o consumo. Mas as medidas se mostram ineficazes na medida em que elas não atuam no sentido de estancar a perda do valor patrimonial dos imóveis no mercado norte-americano. ''O que demanda uma solução, até porque ninguém sabe o seu tamanho, é a inadimplência no setor hipotecário'', diz o economista da MCM Consultores. Com a queda desenfreada do valor dos imóveis, explica Rabi, mesmo quem tem condições de pagar sua dívida não paga. ''Prefere não honrar seus compromissos e entregar as chaves do imóvel para quem o financiou'', afirma Rabi.

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