BC age para evitar queda das reservas
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Agência Folha 
O governo baixou ontem três medidas para atrair dólares ao País e, assim, evitar que ocorram perdas nas reservas em moeda estrangeira do Banco Central. Duas das medidas são dirigidas ao chamado capital especulativo, ou seja, dólares de curto prazo aplicados no Brasil por investidores estrangeiros dispostos a assumir riscos em troca de juros altos.
A terceira medida incentiva o ingresso antecipado de dólares de investidores interessados em participar de leilões de privatizações e de concessões de serviços públicos. É só uma precaução, disse o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Madureira Pinho Neto. Decidimos tomar essas medidas para navegar com maior conforto nesses mares turbulentos. Segundo ele, com as medidas, o governo pretende manter ou até elevar o atual nível de reservas internacionais.
O BC aumentou a margem de ganho dos bancos que captam dólares no exterior na linha de empréstimo conhecida como 63 caipira. A medida vale até dezembro. Teoricamente, essa linha foi criada para incentivar os bancos a captar recursos externos para serem repassados no País sob a forma de empréstimos agrícolas.
Na prática, os bancos estavam autorizados a aplicar 50% dos recursos em títulos cambiais. Somente 50% tinham destinação obrigatória à agricultura. A partir de agora, os bancos poderão aplicar em títulos públicos 100% dos recursos captados no exterior. Não há mais a obrigatoriedade de conceder empréstimos à agricultura.
A operação é considerada vantajosa para os bancos porque eles captam dinheiro no exterior, pagando juros mais baixos, e aplicam dentro do Brasil na compra de títulos cambiais, recebendo juros maiores. Esse ganho com diferencial de taxas é conhecido como arbitragem.
Com essa medida, o governo pretende incentivar a renovação de cerca de US$ 2 bilhões em operações de 63 caipira que ainda vão vencer. Além disso, pretende estimular a volta de parte dos US$ 3,2 bilhões dessas operações que deixaram o País em agosto devido à baixa dos juros.
O BC também reduziu para um ano o prazo mínimo de captações que empresas e bancos fazem no exterior. No caso de renovação dessas operações, o prazo foi reduzido a seis meses. Antes, o prazo mínimo para novas captações era de dois anos e, para renovações das antigas, de um ano. A permissão vale até dezembro.
Com a medida, o BC quer incentivar a volta dessa modalidade de captação, que estava praticamente paralisada desde maio, quando ocorreu um dos primeiros surtos da crise russa. Com prazos mínimos mais curtos, as empresas brasileiras podem baixar os juros.


