BC age e derruba dólar em 3,5%
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Agência Estado De Brasília 
Depois do aumento de 1,5 ponto porcentual na taxa de juros, na quarta-feira, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, divulgou ontem medidas para baixar ainda mais a cotação do dólar. O objetivo é reverter o pessimismo do mercado, que ontem sentiu o primeiro impacto, com a moeda americana caindo 3,56% e fechando a R$ 2,381, depois de mais uma intervenção do BC. Segundo estimativas, a instituição vendeu entre US$ 200 milhões e US$ 400 milhões. Ao mesmo tempo, o governo tenta desarmar os argumentos dos partidos de oposição, que prenunciam o debate sucessório.
Fraga informou que, nos próximos dias, o governo enviará ao Congresso um minipacote tributário. Entre outras medidas, vai propor a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e pretende discutir a incidência do tributo no mercado de capitais. O investimento em bolsa recolhe CPMF, o que desviou as aplicações do País.
Outras medidas prevêem a apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para a unificação da legislação do ICMS com alíquota única; o estímulo às exportações com a redução da incidência do PIS/Cofins; e o saneamento dos bancos federais. Completa a munição do governo a ampliação das captações de recursos externos em US$ 10,8 bilhões.
Para o presidente do BC, que continua lutando contra uma forte conjuntivite, os US$ 10,8 bilhões de captação extra serão suficientes para acalmar o mercado de câmbio. Ele salientou que há um exagero na instabilidade do mercado, responsável por levar a cotação do dólar a perto de R$ 2,50. Mas deixou clara uma nova postura de atuar no mercado de câmbio quando tiver vontade. Isso significa que o BC poderá não estar tão passivo diante da alta do dólar, como têm criticado os analistas de mercado nos últimos meses. Fraga revelou que, na intervenção da última segunda-feira, foram gastos US$ 445 milhões. Desde o início do ano, foram injetados US$ 12,8 bilhões em papéis cambiais.
Como problemas, ele citou a aversão do mercado internacional ao risco, o que tem reduzido o fluxo de investimentos para vários países, inclusive o Brasil, e outros pontuais, como a crise de energia, o quadro político interno e a Argentina. Mas Fraga acredita que o País vá superar as dificuldades, podendo, assim, reduzir as taxas de juros.


