O Banco Central adotou ontem mais uma medida para estimular o ingresso de investimentos externos no País. Por meio da Circular 2.882, o BC acabou com o limite para o repasse dos recursos captados por meio das operações 63 (dinheiro tomado no exterior para empréstimo no mercado interno) entre instituições financeiras. Até agora, o banco que tomava o dinheiro lá fora só podia repassá-lo uma vez para outra instituição que, por sua vez, era obrigada a emprestá-lo ao tomador final.
Segundo o chefe do Departamento de Normas do BC, Carlos Eduardo Lofrano, a mudança ‘‘é mais um mecanismo para possibilitar a entrada de recursos externos no País’’. Dentro da nova regra, o repasse entre as instituições, portanto, passa a ser ilimitado. Ou seja, depois que um banco toma o dinheiro lá fora, pode passar para outra instituição que terá três opções: emprestar imediatamente os recursos a um tomador final, aplicá-los em títulos públicos ou, ainda, repassar para um terceiro banco. Esta outra instituição poderá continuar passando o dinheiro para uma quarta. Lofrano explicou que a alteração atinge todo tipo de operação 63, inclusive aquela destinada ao setor rural. Ou seja, a caipira. No ano passado, o BC detectou distorção na aplicação dos recursos da 63-Caipira. Ao invés de tomarem o dinheiro para destinar ao setor rural, as instituições estavam aplicando os recursos em títulos públicos cambiais. Com isso, ao mesmo tempo que ganhavam no diferencial entre as taxas de juros internas e externas, os bancos ainda estavam protegidos contra a desvalorização do real.

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