O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, admitiu ontem que é possível que ocorra uma redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre as operações de crédito. Esta medida poderia ser tomada como forma de redução dos problemas que aumentam os custos de intermediação financeira para que os juros cobrados pelos bancos dos consumidores também fiquem mais baratos.
Fraga afirmou que o IOF é um dos piores impostos por encarecer o capital e, ainda por cima, reduzir o ganho dos investidores. Além de um IOF menor, o BC está estudando a possibilidade de redução de outros custos para os bancos, como a CPMF, a obrigatoriedade de provisionamento de crédito, os depósitos compulsórios e os direcionamentos obrigatórios de crédito, como os voltados para a agricultura e habitação.
No final de novembro, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, admitiu que a implementação destas medidas dependerá da conclusão dos estudos. ‘‘Não sabemos se vai acontecer’’, disse Figueiredo.
A redução do IOF nas operações com pessoas físicas de 6% para 1,5% foi uma das medidas tomadas em outubro do ano passado para tentar fazer cair os juros e o spread (a diferença entre o custo de empréstimo e o de captação dos bancos) para os clientes dos bancos.
Fraga, que esteve ontem no encerramento do seminário sobre juros e spread bancário promovido pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, disse considerar excelente a idéia do deputado Milton Temer (PT-RJ) de reduzir a jornada de trabalho dos bancários, para, com isso, ajudar a manter o nível de emprego no setor.
‘‘A redução da jornada é uma excelente idéia e não sei por que ela não vai adiante. Estou disposto a trabalhar por isso’’, disse Fraga, sem entrar em detalhes.

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