BC admite que a inflação vai superar a meta do ano
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sexta-feira, 30 de março de 2001
Agência Estado De Brasília 
O Banco Central assustou ontem o mercado ao divulgar a projeção de 4,8% para a inflação deste ano na hipótese de manutenção das taxas de juros básicas em 15,75%. A projeção, que consta do Relatório de Inflação divulgado trimestralmente pelo BC, significa um aumento de 0,9 ponto percentual em relação à estimativa de 3,9% de dezembro passado. Para 2002, o documento prevê uma inflação de 3% ante os 2,6% que haviam sido estimados no último relatório. Já a projeção de crescimento econômico para este ano recuou de 4,5% para 4,3%.
Enquanto os 4,8% previstos para a inflação superam a meta de 4% deste ano, os 3% ficam abaixo da meta de 3,5% prevista para o próximo. A interpretação dos operadores de mercado foi que, para trazer a inflação de volta à meta deste ano, seria necessário fazer um novo aumento das taxas de juros. O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, em entrevista à rádio CBN, assegurou que os atuais 15,75% serão suficientes para trazer o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) para perto da meta.
De acordo com o documento, o aumento expressivo na projeção de inflação para este ano deve-se em grande parte aos efeitos do repasse cambial em ambiente de crescimento robusto da economia. Outro aspecto é que houve alterações fundamentais no cenário básico, especialmente nas variáveis exógenas que influenciam a trajetória da taxa de câmbio, como as incertezas externas, e cita as economias da Argentina e dos Estados Unidos.
Em relação às contas externas, o relatório do Banco Central difere do Memorando de Política Econômica do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na última quinta-feira. Enquanto o memorando estimou o déficit em transações correntes de US$ 27 bilhões, o relatório crava o resultado negativo em US$ 26,3 bilhões.


