O mercado já começa a pressentir que uma taxa de inflação acumulada além de 4% não seria o fim do mundo em tempos de pressão de custos por conta do racionamento. Também se espera que o Banco Central seja menos draconiano neste ano, deixando um pouco de lado o preciosismo de se atingir o núcleo da meta de inflação este ano.
Ontem, o próprio diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, admitiu que o importante é atingir o intervalo entre 2% e 6% – uma mudança sutil, mas valiosa, de discurso. Isso porque a equipe do BC sempre insistiu que o importante era atingir o núcleo da meta, no caso 4%.
Um especialista comentou que essa relativa flexibilidade e também o fato de que a tarifa punitiva para mais de 250 KWH não será captada pelo IPCA podem fazer com que o Copom não seja tão agressivo em eventual elevação da Selic (que está em 16,25%), como era esperado, na reunião da próxima terça e quarta-feira.
Câmbio O dólar prosseguiu em queda ontem por causa da melhora de humor do mercado em relação principalmente à Argentina. O comercial fechou em baixa de 0,60%, vendido a R$ 2,305. A expectativa de um desfecho no curto prazo para a operação de swap da dívida argentina e a previsão de que não haverá apagões na primeira etapa do racionamento de energia no País estimularam empresas e bancos a vender parte do excesso de moeda que têm em suas carteiras. Ainda assim, o mercado continua hedgeado, afirmaram operadores de mesas de câmbio.
Pela manhã, rumores de que o Citibank estaria negociando a compra do Unibanco sustentaram a queda do dólar até 0,86%, a R$ 2,299. Os boatos criaram expectativas de eventual ingresso pesado de recursos no País, estimulando vendas de moeda. Como o Unibanco desmentiu a operação e houve o retorno dos importadores ao mercado para compra, o dólar desacelerou a queda.
A perspectiva de que o processo de cassação dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) também seja definido até a próxima quarta-feira é outro fator positivo para o mercado.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1%, entre a mínima de R$ 2,299 (-0,86%) e a máxima de R$ 2,322 (+0,13%). Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o giro financeiro com contratos cambiais somou R$ 6,96 bilhões (59.941 negócios), ante 6,44 bilhões (55.191 negócios) registrados anteontem.(Márcia Pinheiro, Silvana Rocha e Mário Rocha)

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