A inflação deste ano pode chegar a 6,7%, já contando com um aumento de 5% no preço final dos derivados de petróleo ao consumidor e taxa de juros básica de 16,5% ao ano. No relatório trimestral de inflação divulgado ontem, o Banco Central informou que também levou em consideração, para o restante do ano, o aumento das tarifas de transportes públicos nos municípios que ainda não autorizaram o reajuste anual, bem como o reajuste da tarifa de energia elétrica no Rio de Janeiro. O BC avalia que o reajuste médio do conjunto de todas as tarifas públicas na inflação deste ano será de aproximadamente 2,8 pontos porcentuais.
No relatório de inflação o BC não afirma que o reajuste de combustível será autorizado pelo governo, mas os analistas de mercado consultados pela Agência Estado consideraram muito significativo o fato do Banco Central trabalhar com esse cenário. O texto do relatório, além disso, deixa claro que o aumento de 5% dos derivados de petróleo considerado nas simulações do Comitê de Política Monetária (Copom) ‘‘leva em conta que a parcela do superávit primário originalmente previsto na conta-petróleo será parcialmente coberta pela elevação do lucro da Petrobras’’.
Em um cenário sem o reajuste adicional do preço do petróleo no mercado interno, o BC estimou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) poderia ficar 0,3 ponto porcentual menor, tanto este ano quanto em 2001. Com isto, a projeção de inflação para este ano cairia de 6,7% e ficaria em 6,4%, que é um porcentual mais próximo da média das apostas do mercado apresentadas em pequisa semanal feita pelo Grupo de Comunicação Institucional do BC (6,3%).
Para o ano que vem, as projeções do BC seriam revisadas de 3,7% para 3,4%, ficando o porcentual ainda mais distante da meta de inflação de 4%. Para o BC a trajetória da inflação em 12 meses esperada para 2000 apresenta uma acentuada elevação no terceiro trimestre, decorrente do reajuste dos preços administrados e do aumento do preço dos alimentos, seguida de significativa queda no último trimestre. Por conta dos reajustes de preços já ocorridos, a projeção do BC para a inflação acumulada no período de 12 meses encerrado em setembro é de 7,9%, com base no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que é superior a meta de 6,5% acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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