BC admite aumentar juros para controlar inflação
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Renato Andrade eAdriana Fernandes<br> Agência Estado 
Brasília - Com a piora das previsões de inflação para 2004 e 2005, os diretores do Banco Central (BC) praticamente enterraram a possibilidade de redução da taxa de juros até o fim do ano. A avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC é de que a manutenção da Selic nos atuais 16% ao ano, por um ''período prolongado de tempo'', permitirá a volta da inflação a níveis mais baixos.
Na ata da última reunião do Comitê, divulgada ontem, os diretores admitem até a possibilidade de uma elevação dos juros, caso a inflação não dê sinais de melhora diante do cenário de recuperação da economia. Pela primeira vez no ano, o BC reconheceu que a projeção de inflação para 2005 já está acima da meta de 4,5% fixada pelo governo e que o ritmo acelerado de retomada do nível de atividade é um fator de risco para o controle dos preços que já foi detectado.
O tom da ata é exatamente o mesmo dado por Rodrigo Azevedo, indicado nesta semana para ocupar a diretoria de Política Monetária do BC, no último relatório que escreveu como economista-chefe do Crédit Suisse First Boston.
Além do temor de descontrole dos preços num ambiente de maior crescimento, o Copom justifica que a piora nas estimativas de inflação foi reforçada pelo reajuste das tarifas de telefonia fixa, pela maior inflação verificada em junho e pela deterioração das expectativas de mercado. Isso foi decisivo para que, na reunião da semana passada, o comitê mantivesse inalterada a taxa Selic pela terceira vez consecutiva.
''Os membros do Copom avaliam que a manutenção da taxa de juros básica nos níveis atuais por um período prolongado de tempo deverá permitir a concretização de um cenário benigno para a inflação'', afirmam os diretores do BC. A afirmação foi considerada como um sinal de que novos cortes de juros só virão em 2005.


