BC admite ajuste na taxa Selic
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Agência Brasil 
Brasília - A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem pelo Banco Central (BC), admite a possibilidade de ajuste na taxa básica de juros, mantida em 16% ao ano desde abril, por causa da resistência da inflação.
O Copom, segundo a ata, entende que dois fatores fizeram com que o risco de inflação sofresse alguma elevação no último mês: a alta do petróleo, na medida em que possa se tornar mais intensa e persistente do que se previa; e o movimento ''ainda incipiente'' de deterioração das expectativas de inflação para 2005. Portanto, o Copom ''precisa permanecer atento a novos desenvolvimentos nessas duas frentes'', diz a ata.
Mas, ''mesmo que o cenário inflacionário venha a requerer um ajuste na taxa básica de juros, é importante reiterar que isso não acarretará prejuízos ao processo de crescimento sustentado da economia brasileira'', de acordo com o Copom. A ata do Banco Central acrescenta que, ''manter a inflação em trajetória compatível com as metas é essencial para preservar os ganhos da renda real do trabalho, que viabilizam expansão persistente e cada vez mais equilibrada dos diversos segmentos da demanda doméstica, e permitem que os benefícios do crescimento repercutam na qualidade de vida da população''.
Embora não arrisque um prognóstico percentual, a ata menciona que em um cenário com taxa de juros nos atuais 16% ao ano e câmbio no patamar de R$ 3,00, as projeções de inflação estão acima da meta de 5,5% para este ano e de 4,5% para o ano que vem, com possibilidade de variação de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A inflação de 2004 pode até não ultrapassar o limite de 7,5%, mas está bem próxima da previsão do mercado financeiro, que projeta Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 7,19%, devido, em grande parte, aos aumentos dos preços industriais e dos preços dos serviços monitorados - combustíveis, gás de cozinha, telefone e energia -,que contribuíram decisivamente para o IPCA de 0,91% no mês passado.


