As primeiras CPRs (Cédula do Produto Rural) da safra 98/99 foram vendidas ontem no Paraná. Foram negociados lotes de soja e milho no valor total de R$ 871.320,00, para entrega em 1999. Por meio de leilão eletrônico do Banco do Brasil, foram vendidas 206 toneladas de soja, que serão entregues em 30 de abril. O produto é da região de Ponta Grossa e foi negociado a R$ 12,00 e R$ 12,06 a saca. A oferta mínima fixada pelo produtor foi R$ 11,40 a saca.
Também foram negociadas 100 mil sacas de milho a R$ 8,30 a saca, para entrega em 24 de agosto. O BB cobra uma taxa de aval do produtor para vender a mercadoria para grandes empresas no País, pelo leilão eletrônico, ao qual todas as bolsas brasileiras estão interligadas. Na fase de plantio e pré-plantio, a taxa de aval fixada é de 0,65% ao mês. Depois, na fase de desenvolvimento da cultura, a taxa cai para 0,55% ao mês. E no período próximo à comercialização, cai mais ainda para 0,45%, segundo o assessor da Superintendência do BB no Paraná, João Aguiar.
Para clientes tradicionais do BB que estão adimplentes, o banco oferece um rebate que varia de 10% até 30% da taxa de aval cobrada no ano. Esse valor é descontado do preço líquido do produto. Isto é, se as taxas incidentes somarem 5,2% sobre o valor da mercadoria durante o período entre o fechamento do contrato até a entrega da mercadoria, o produtor fiel ao banco pode ser contemplado com um rebate de 1,56%. Essa taxa corresponde aos 30% de rebate. Com isso, o produtor vai pagar uma taxa final de 3,64% sobre o valor financiado.
O BB justifica a cobrança da taxa de aval pela credibilidade ao mercado comprador. Em caso de não entrega do produto, o banco garante a mercadoria. Para evitar inadimplência por parte do produtor, o banco faz uma análise da operação e vistoria frequentemente o desenvolvimento das lavouras, avaliando passo a passo as manifestações do clima. ‘‘Não dá para dar o aval no escuro’’, observou João Aguiar.
Na avaliação do técnico de crédito rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento Francisco Simioni, o valor negociado das CPRs pelo BB para a safra 98/99 representa um bom indicador de que o mercado está estável. ‘‘O fato de haver compradores para o milho com um valor superior ao negociado hoje, que é de R$ 7,15 a saca, revela uma boa tendência para o produto’’, disse Simioni.
Simioni afirmou que a negociação em CPR com o milho representa um novo mercado para o produtor comercializar o produto fora das linhas de crédito oferecidas pelo crédito rural, que geralmente são inferiores à demanda. ‘‘Essa modalidade de comercialização já está se consolidando com a soja. Mas com o milho e algodão ainda é novidade’’, disse.

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