Brasília - O Banco do Brasil pretende liberar R$ 2,5 bilhões em financiamentos agrícolas em agosto, segundo informou ontem
o vice-presidente de Agronegócios da instituição, Ricardo Conceição. Com isso, o total liberado nos dois primeiros meses (julho e agosto) do ano safra 2004/05 deve chegar a R$ 4 bilhões.
O BB será responsável pela liberação de R$ 25,5 bilhões do total de R$ 46,5 bilhões previstos pelo governo para a safra 2004/05. Conceição disse que a expectativa é de aquecimento no volume aplicado nos meses de setembro, outubro e novembro, quando a safra começa a ser cultivada.
O gerente técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, afirmou que a disponibilização dos recursos precisará ser intensificada até outubro, quando o plantio da safra de verão se concentra.
Segundo ele, atividades como o preparo do solo e o plantio correspondem a 55% da demanda. O restante dos recursos é utilizado em tratos culturais e colheita das lavouras. Historicamente, o Paraná utiliza 20% do dinheiro disponível para todo o País.
O BB começou ontem a adquirir Cédula do Produtor Rural (CPR). Até agora, a instituição apenas avalizava os títulos. Os recursos para aquisição são oriundos das exigibilidades bancárias e de aplicações com taxas livres, num limite de até R$ 1 bilhão, operação autorizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), explicou Conceição. ''A vantagem para o produtor será a redução significativa dos custos'', afirmou.
Quando os produtores buscavam no mercado os recursos para a CPR, a taxa ficava em 2,25% ao mês. Ao comprar a CPR, o Banco do Brasil fixa taxa de 1,5% a 1,7% ao mês, calculou o vice-presidente. Ele disse que o banco decidiu comprar as CPRs porque as tradings, grandes financiadoras da agricultura brasileira, resistem em oferecer recursos aos agricultores neste ano. ''Os produtores reclamam da dificuldade de obtenção de financiamento'', afirmou.
Conceição lembrou que o Banco do Brasil pode gastar de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões na compra de CPR, mas que será necessário conseguir outras fontes para os recursos. O CMN aprovou a operação no limite de até R$ 1 bilhão. Ele ressaltou que ''a CPR é, hoje, o grande instrumento de legitimação do agronegócio'', a ponto de muita gente querer comprar esses títulos de garantia de entrega do produto segurado. Até fundos de pensão se dispõem a entrar nesse segmento de mercado, que é um ''avanço espetacular'' para a negociação da produção rural, acrescentou.
Presente à entrevista coletiva, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, lembrou que o recurso complementar poderá vir dos novos títulos agrícolas, anunciados pelo governo no Plano Agrícola e Pecuário 2004/05, em junho. ''Será o início do novo sistema de crédito rural, mas desta vez, os mecanismos serão privados'', explicou Wedekin. (Colaborou Carolina Avansini).

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