BB tenta negar novo prazo para dívida
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sexta-feira, 12 de setembro de 1997
Mariângela Heredia Agência Estado 
Mesmo reconhecendo que errou ao superestimar as dívidas da agricultura, o governo resiste à pressão da Frente Parlamentar de Agricultura pela prorrogação do prazo de pagamento da primeira parcela da securitização, que vence em outubro. Uma fonte do Banco do Brasil disse que se neste ano, em que os preços agrícolas estiveram remuneradores, o governo ceder aos argumentos dos produtores rurais (de que não houve renda suficiente para o pagamento), mais difícil ainda será receber os débitos em 1998, um ano eleitoral, em que a reeleição do presidente Fernando Henrique estará em jogo.
A securitização feita pelo BB atendeu a 170.641 produtores individuais, sem contar as cooperativas. Do total, 35.095 já não pagarão nada neste ano, pois tiveram três anos de carência em razão da situação particular de endividamento e porque o próprio BB considerou que o débito era indevido. A parcela média anual dos 135.546 produtores que tiveram dois anos de carência e devem começar a pagar este ano é de cerca de R$ 4 mil.
De acordo com o levantamento do BB, o valor total securitizado dos produtores que devem até R$ 5 mil foi de R$ 109,8 milhões, sendo que a primeira parcela deste ano é de R$ 15 milhões, para ser paga por 43.576 produtores, o que representa um valor médio de R$ 345,00. Apesar de ser um valor médio, a quantia demonstra que a parcela não é tão alta, além da possibilidade de o produtor pagá-la com produto, avaliou um técnico.
Do total de 17.805 produtores que securitizaram dívidas entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, no valor global de R$ 152,9 milhões, cerca de 16 mil agricultores deverão pagar a partir deste ano uma parcela média de R$ 1.233,00. Os 29.547 produtores que devem começar a pagar em outubro dívidas renegociadas entre R$ 10 mil e R$ 30 mil terão uma parcela média de R$ 2.950,00, e os 12.851 produtores com débitos securitizados entre R$ 30 mil e R$ 50 mil terão uma dívida média a partir deste ano de R$ 5.990,00.
Os 10.907 produtores que devem entre R$ 50 mil e R$ 100 mil e têm de começar a pagar em outubro ficaram com uma parcela média anual de R$ 11.105,00. De acordo com um técnico da área econômica, 83% do total de produtores que tiveram dois anos de carência na securitização e deverão começar a pagar este ano devem até R$ 100 mil no crédito rural. O que não dá para continuar prorrogando é a falta total de pagamentos, como vem ocorrendo com os arrozeiros do Rio Grande do Sul. Apesar dos números do governo, os parlamentares asseguram que houve um pacto para a securitização das dívidas, de que o produtor teria condições de ampliar a renda e, consequentemente, pagar os débitos após os dois anos iniciais de carência, ou três anos para alguns.


