Diretores de sete cooperativas do Paraná assinaram ontem contratos de inclusão no Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop), desenvolvido pelo governo federal e instituições do sistema financeiro. Elas vão receber R$ 52,4 milhões no total, sendo R$ 34 milhões para refinanciamento de dívidas vencidas e a vencer e R$ 18,4 milhões destinados a capital de giro e novos investimentos. O diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Ricardo Alves da Conceição, participou das assinaturas.
O objetivo do Recoop é sanear dívidas do sistema cooperativista nacional e reestruturar as cooperativas agrícolas, adaptando-as às novas necessidades de mercado.
Existem 37 cooperativas agropecuárias do Estado que apresentaram propostas de inclusão no Recoop, com potencial de R$ 800 milhões de repasses. Desse total, R$ 300 milhões seriam para novos investimentos e outros R$ 500 milhões destinados ao refinanciamendo de dívidas vencidas. Até ontem, apenas quatro cooperativas paranaenses tinham conseguido assinar contratos com outros agentes financeiros. Pelo Recoop, as dívidas são parceladas por 15 anos.
O programa foi criado em setembro de 1998 por uma medida provisória do governo federal. ‘‘Não vamos resolver os problemas criados nos últimos 20 anos com a assinatura de um contrato, esse é o começo de uma reestruturação mais ampla’’, afirmou Conceição. Segundo ele, a demora de quase dois anos para a assinatura dos primeiros contratos pelo Banco do Brasil deveu-se à adaptação das cooperativas às regras previstas na MP. ‘‘Esse é um programa difícil de ser implementado e em todos os Estados estamos começando a assinar os contratos agora.’’
Para o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, o maior responsável pelos atrasos foi o governo federal. ‘‘Quando o programa foi criado o Tesouro da União assumia a maior parte dos riscos, mas na hora da implementação eles repassaram para o sistema financeiro esses riscos e os bancos não estão dispostos a ficar com possíveis prejuízos’’, disse.
De acordo com Koslovski, os problemas financeiros das cooperativas agrícolas foram criados no início do Plano Real. Nesse período o sistema ficou sem crédito agrícola e teve que se endividar. ‘‘Sem dúvidas, o atraso de quase dois anos na assinatura dos contratos causou prejuízos para as cooperativas e algumas delas até desistiram do Recoop por terem conseguido outras fontes de recursos’’, lembrou. Não há previsão para as assinaturas dos contratos com as 26 cooperativas paranaenses que ainda não tiveram seus projetos aprovados pelos órgãos financeiros.
As cooperativas beneficiadas ontem foram a Copacol, Cotriguaçu, Cotrefal, Sudcoop, Cofercatu, Coasul e Batavo. No Paraná, o Banco do Brasil aprovou propostas de 12 cooperativas, além destas sete. Os 19 contratos representam R$ 105 milhões no total. Das 37 cooperativas paranaenses inscritas no Recoop, 33 apresentaram propostas ao Banco do Brasil.

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