BB recebe AGFs para financiar feijão
Carmem Murara
De Curitiba
O Banco do Brasil recebeu ontem a primeira parcela dos recursos que serão aplicados nas operações de Aquisições do Governo Federal (AGFs) para garantir o preço da safra do feijão. O governo federal liberou R$ 7 milhões que serão distribuídos entre os Estados produtores, cabendo ao Paraná R$ 3 milhões na fase inicial. O total prometido ao Estado foi de R$ 23 milhões, dinheiro que os produtores aguardam para as próximas semanas.
A chegada do dinheiro ao banco foi considerada tardia por alguns setores agrícolas. O engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, disse que se o governo tivesse antecipado as AGFs o preço do feijão estaria mais elevado. Deveria ter chegado antes e de uma só vez, afirmou Hubner.
A colheita da safra do feijão das águas já está em fase adiantada. Pela avaliação do Deral, os produtores colheram até agora 85% do que plantaram. A superoferta do produto fez com que o preço despencasse. A saca de feijão tem variado de R$ 17 a R$ 20, preço insuficiente para cobrir o custo de produção. Hoje, um produtor gasta entre R$ 28 e R$ 30 para produzir uma saca.
Se as AGFs tivessem sido liberadas antes, poderia haver melhor preço para a comercialização, avaliou Hubner. O coordenador técnico de Economia da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetaep), Sérgio Gutierrez, tem a mesma opinião. Ele diz que o governo deveria ter garantido o preço quando começou a colheita.
Gutierrez acredita ainda que não haverá novas AGFs, como prometeu o governo federal. Dos R$ 30 milhões que viriam para os produtores em todo o País, só vêm R$ 7 milhões, disse ontem, após ter consultado a superintendência do Banco do Brasil.
O Paraná é o maior produtor nacional de feijão com 30% da produção. A área plantada foi de 445 mil hectares. A produção foi estimada em 467,8 mil toneladas, mas os agricultores devem colher 354 mil toneladas. Com a queda de 24% deveria haver um aumento no preço do feijão, mas em outros Estados houve crescimento da produção.
As lavouras de feijão são plantadas hoje por cerca de 150 mil produtores. A quase totalidade é formada por pequenos agricultores que vivem da agricultura familiar. Metade deles planta feijão em áreas que têm em média cinco hectares.





