O prazo para se enquadrar no plano de renegociação das dívidas acima de R$ 200 mil, que não foram securitizadas, termina amanhã e até ontem poucos produtores rurais procuraram as agências do Banco do Brasil. O Paraná ainda é o estado com menor índice de inadimplência. De um total de dívidas no valor de R$ 456,49 milhões, produtores que detém 42% do débito no valor de R$ 191,45 milhões já procuraram o banco para iniciar um processo de renegociação.
A superintendência do Banco do Brasil acredita que até sexta-feira mais produtores devam procurar as agências para formalizar o início do processo de renegociação. No País, de um total de dívidas no valor de R$ 4,5 bilhões, somente R$ 1 bilhão estão registrados no sistema para futura renegociação que poderá se prolongar até o dia 2 de novembro. Para os produtores que permanecerem na inadimplência, o diretor de crédito rural do BB, Ricardo Conceição, promete agir com rigor, executando as dívidas.
Os produtores que renegociarem suas dívidas não terão a garantia de novos créditos. Isso porque a concessão de financiamentos está vinculada a uma análise caso a caso sobre a capacidade de pagamento de cada um. A superintendência do BB informou que está satisfeita com o índice de resposta à proposta de financiamento ocorrida até agora. Segundo o setor de recuperação de crédito, as dívidas que não forem renegociadas serão realmente as de difícil recebimento, muitas já ajuizadas, cujos titulares nem trabalham mais no campo.
Ao procurar o banco para renegociar a dívida, o produtor terá direito a um recálculo dos débitos, no qual devem ser eliminados todos os custos que ‘‘engordam’’ a dívida como multa contratual, juros de mora, encargos de inadimplência, honorários advocatícios e outras taxas diversas, informou o economista Adilson Ricardo, da Federação da Agricultura do Paraná. Segundo o economista, se o produtor achar que algumas dessas taxas não foram eliminadas, deve procurar o sindicato rural do seu município, que tem um programa de cálculo que segue a resolução do Banco Central.
Recálculo No recálculo da dívida todas as taxas extras são eliminadas, sendo que o principal tem uma correção pelo Índice de Reajuste da Poupança (IRP) mais 12% ao ano até o mês de janeiro de 1998. A partir daí, o valor da dívida tem correção pelo IRP mais 10% ao ano. Para os financiamentos anteriores contratados com taxas mais altas, a redução da dívida será signficativa, avaliou o técnico do setor de recuperação de crédito do BB, Luiz Urbano Dominoni.
Após o recálculo, o produtor poderá formalizar a renegociação, que prevê um prazo de 20 anos para pagamento. Para isso, o produtor compra um título do governo federal batizado de Certificado do Tesouro Nacional (CTN), no valor de 10,36% do débito total. O Banco do Brasil faz o débito na sua conta no valor do título e o produtor deverá pagar, além do título, o juro da dívida que vai variar entre 8% e 10% ao ano mais o IGPM, por 20 anos. Os técnicos do BB garantem que, nesse período, a correção do título mais os juros pagos mensalmente quitarão totalmente o débito.ArquivoAlertaO diretor de Crédito, Ricardo Conceição, promete agir com rigor após vencimento do prazoVânia Casado

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