BB quer atender 200 mil produtores do PR
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O Banco do Brasil (BB) já disponibilizou R$ 678 milhões, através do programa de crédito rural, para os produtores paranaenses neste primeiro semestre do ano. A estimativa da instituição é atender pelo menos 200 mil produtores rurais e pecuaristas. No entanto, a superintendência da instituição garante que os recursos podem ser ampliados, se houver demanda. Planos de financiamento, taxas e prazos para pagamentos variam conforme o porte do interessado.
O temor dos agricultores da Região Norte é de que nem todos eles tenham acesso aos recursos, uma vez que a maioria deles renegociou dívidas de safras anteriores e estão sem imóveis para oferecer em garantia. Segundo o engenheiro agrônomo Jefferson Osipi, de Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio), muitos agricultores da região já renegociaram dívidas das duas safras anteriores, que foram frustradas. ''Agora, boa parte dos produtores estão sem garantias reais para oferecer ao banco'', afirma.
Osipi diz que a falta de liquidez ''engessou'' produtores. ''Muitos deles estão sendo obrigados a recorrer a empréstimos que, geralmente, oferecem recursos mais caros'', completa. Já o presidente do Sindicato Rural Patronal de Itambaracá, Mário Teixeira Marinho Neto, acrescenta que muitos agricultores estão pegando adubos, insumos e sementes nas cooperativas para pagamento na safra. ''O custo é maior do que trabalhar com o crédito agrícola. Comprando à vista, o produtor ganha de 2% a 3%'', afirma.
Marinho Neto informa que boa parte dos produtores rurais estão sem liquidez e diz que, esta safra, só irá pagar o custo de produção. ''O dólar caiu de R$ 3,40 para cerca de R$ 2,50, mas o custo dos insumos, que são atrelados ao dólar, não caíram na mesma proporção que a cotação da soja, por exemplo. O dólar está com preço de 2001, enquanto o óleo diesel está com preço de 2006'', compara. De acordo com o presidente do Sindicato Rural, inclusive, entre 80% e 90% dos agricultores plantaram sem adubo por falta de liquidez.
Limite - O superintendente de varejo do BB no Paraná, Danilo Angst, disse que a intenção da instituição é atender todos os produtores rurais. ''Cada caso será analisado separadamente de acordo com a capacidade de pagamento e produção e conforme o limite de crédito'', explica. Ele frisa que a falta de garantias reais não tem sido empecilho para a liberação de crédito porque também são analisadas questões de custeio e até a própria safra pode ser negociada como garantia.
''A nossa orientação é de que os produtores procurem o gerente de sua agência. Se o caso fugir da alçada deles, eles irão procurar a superintendência que irá analisar todos os casos. O Banco do Brasil tem uma parceria antiga com os produtores'', observa Angst. Ele acrescenta que quando as dívidas de safras anteriores foram renegociadas, foram analisadas as possibilidades de concessão de crédito subsequentes. ''Não iremos fechar as portas as produtores, ainda mais quando o clima não ajuda'', garante.
De acordo com o superintendente, o banco conta com um corpo técnico que faz as avaliações de mercado. ''Nosso pessoal avalia o clima e o preço da comercialização. Todos os fatores são considerados para atender aos produtores'', diz.


