BB prevê expansão do mercado de CPR
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quinta-feira, 16 de julho de 1998
Vânia Casado 
Os negócios com CPR (Cédula de Produto Rural), para venda antecipada de produtos, tendem a triplicar este ano. Na safra 97/98, as vendas antecipadas de soja somaram R$ 4,7 milhões e na safra 98/99 deverão girar em torno de R$ 12 milhões, de acordo com estimativa do assessor da superintendência do Banco do Brasil no Paraná, João Aguiar.
Na opinião dos técnicos do BB, este é o momento ideal para o produtor começar a negociar a produção. O agricultor recebe o dinheiro à vista no início do plantio e entrega o produto no final da safra.
A comercialização de soja, café, milho e boi gordo, por meio de CPRs, rendeu R$ 7 milhões na safra passada. Segundo Aguiar, além da soja, os negócios com o café também tendem a triplicar com o aumento da produção no Estado.
Isso porque seus produtores são mais profissionais e estão acostumados a acompanhar o mercado futuro em bolsas e as cotações diárias. Estes produtores têm condições de avaliar se estão fazendo um bom negócio ou não, justificou o técnico.
Otimismo O otimismo do BB em relação ao desempenho da soja na próxima safra deve-se aos bons resultados obtidos na safra anterior. Quem vendeu a soja em CPR em setembro de 1997 teve uma remuneração média de R$ 13,20 a saca. Em outubro, o valor subiu para R$ 14,50 a saca e, em novembro, já estava em R$ 15,00 o valor médio. Ou seja, houve vantagens com seis ou sete meses de antecedência, já que hoje o produto está sendo vendido em torno de R$ 12,20 a saca. Aguiar acredita que muitos produtores irão aderir ao instrumento da CPR para travar os preços que estão sendo praticados no mercado.
Para as grandes empresas exportadoras e grandes indústrias moageiras nacionais, que compram a CPR em leilões eletrônicos do BB, esse instrumento representa uma garantia para os contratos de exportação, lembrou Aguiar. A CPR é um título líquido e certo, negociável em mercado de bolsa ou balcão, sendo transferível por endosso completo.
Bolsas Segundo o BB, o produto é colocado à venda nas 28 bolsas interligadas no País, ampliando o mercado para vendedor e comprador. Isso porque o rigor na concessão de uma CPR supera o adotado no crédito agrícola, explicou o técnico.
Para o BB, negociar parte da produção de forma antecipada pode ser a solução para diminuir o risco preço na comercialização. Como se trata de um instrumento novo, criado em agosto de 1994, o assessor do BB argumenta que ainda não existe tradição do agricultor no emprego de mecanismos alternativos de comercialização. Na última safra, apenas 0,3% da produção de soja do Estado foi comercializada via CPR e avalizada pelo banco.


