BB prevê colheita de 83 milhões de t
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Mariângela Herédia Agência Estado 
O Banco do Brasil estima que a produção nacional de grãos da safra 1998/99 deverá atingir cerca de 83 milhões de toneladas, volume próximo ao limite inferior previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na primeira intenção de plantio divulgada na semana passada. Acho que o intervalo divulgado pela Conab está bem razoável, disse o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição. Ele admite que a previsão possa ser corrigida, porém, a margem será insignificante.
Ao contrário de diversas lideranças e entidades do setor, que consideram a previsão da Conab muito otimista, o diretor do BB afirmou que os levantamentos iniciais feitos pelos técnicos do banco sinalizam uma produção de, no mínimo, 83 milhões de toneladas de grãos. Desde a safra 1991/92 o BB vem fazendo estimativas de safra no campo com mais de 300 agrônomos espalhados pelo País e consolidando informações com base nos financiamentos do crédito rural e vendas de sementes e fertilizantes. Não temos errado nas previsões, disse o superintendente da Unidade Estratégica de Negócios Rurais, Biramar Nunes.
Ele destacou que os levantamentos de safra feitos pelo BB destinam-se apenas ao consumo interno do banco, como um instrumento indispensável para a definição do rumo dos negócios da instituição na área agrícola, onde responde por mais de 70% das aplicações do crédito rural. Esse trabalho é imprescindível, até para definirmos estratégias de comercialização, avaliou Nunes.
Crítica Alguns dos principais líderes da bancada ruralista, como os deputados Abelardo Lupion (PFL-PR) e Hugo Biehl (PPB-SC) acreditam que o intervalo de produção definido pela Conab, entre 83,9 milhões de toneladas e 85,6 milhões de toneladas de grãos está superestimado. Biehl disse que é grande o número de produtores que denunciam a falta de crédito para custeio nos bancos, o que prejudica o plantio. O governo não tem o comando do crédito rural, e apenas assiste passivamente os bancos agirem conforme seus interesses, acusou.
Lupion disse que achou os números da Conab um pouco exagerados, mas espera que a previsão se confirme. Se liberarem o dinheiro para o plantio é possível que a produção aumente, afirmou.
As cooperativas do Rio Grande do Sul e Paraná também consideram excessivamente otimistas as previsões do Banco do Brasil e da Conab (divulgada dias atrás). E os especialistas em mercado de commodities acham que as previsões são precipitadas já que a safra ainda está sendo implantada. E entendem que números muito altos dão margem a especulação e achatamento de preços uma vez que sugerem excesso de oferta.


