Brasília- O Banco do Brasil (BB) anunciou ontem um plano de reestruturação com corte de pessoal e enxugamento em suas áreas de logística e de análise de crédito. ''Nossa premissa com as medidas é racionalizar e aperfeiçoar o banco dentro do cenário de competição'', afirmou o presidente do banco, Antonio Francisco de Lima Neto. A estimativa é que as ações proporcionem uma economia de R$ 350 milhões por ano, que mostrarão resultados a partir do ano que vem.
O plano contém um programa de demissão e aposentadoria voluntárias, e a expectativa é que 366 funcionários aderirão. A reestruturação do banco, porém, afetará um total de 1.196 empregados. A maior parte deles será aproveitada em outras áreas do BB.
O vice-presidente de Relacionamento com Pessoal, Luis Osvaldo Santiago Moreira, se reuniu ontem com representantes de sindicatos dos bancários para apresentar as medidas e as condições dos planos de desligamentos. ''Não se trata de simples demissões e redução de pessoal, mas de uma reorganização estrutural, as pessoas que não quiserem sair do banco e que forem afetadas pelas medidas poderão ser realocadas para outros setores'', disse Lima Neto.
A reação inicial dos sindicatos dos bancários foi criticar as medidas de reestruturação do banco. Em um ''fato relevante'' publicado em alguns jornais do País, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) disse que as medidas representavam uma ''agressão'' aos funcionários do banco e apontava ''estranheza'' com o anúncio da reestruturação ''após a instituição ter registrado um lucro líquido de R$ 6 bilhões em 2006''.
Segundo o comunicado da Confederação, seriam demitidas 6.000 pessoas, o que foi desmentido pelo banco. A Contraf informou ainda que vai pedir nos próximos dias audiências nos Ministérios do Planejamento, Trabalho, Fazenda e Ministério Público do Trabalho para tentar impedir a diretoria do banco de implementar as ações.
Mobilização - O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região fechou, ontem, por cerca de sete horas, a Central de Atendimento do Banco do Brasil, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana, impedindo a entrada dos funcionários. A mobilização foi motivada pelos rumores de terceirização de alguns setores do banco. Manifestações semelhantes aconteceram, simultaneamente, em outros estados.
Para a presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stedile, as propostas de restruturação do BB - como o plano de demissão voluntária (PDV) e a terceirização - são temerosas. O que mais preocupa, segundo ela, é passar para uma empresa terceirizada - a Cobra Tecnologia S.A. - operações sigilosas realizadas nas agências de auto-atendimento que, hoje, são processadas por bancários. De acordo com a dirigente, na Capital e região, 52 agências seriam afetadas.
Marisa adiantou que o sindicato ingressará com medida cautelar na Justiça para tentar impedir a terceirização. A sindicalista admitiu que, depois que o governo do Estado transferiu suas contas para o BB, houve uma sobrecarga de trabalho nas agências de Curitiba. No entanto, o que o sindicato defende é a realização de concurso público e não a terceirização. Amanhã, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região fará uma assembléia geral para discutir ''alternativas de resistência'' à reestruturação proposta pela diretoria do Banco do Brasil.
O superintendente de Varejo do BB no Paraná, Danilo Angst, confirmou que o processamento dos envelopes de depósito deixados nos postos de auto-atendimento será terceirizado. Eles seguirão para uma central, que reunirá funcionários próprios e terceiros, onde serão processados. Trata-se de uma política do banco, disse Angst. O processo foi iniciado em 2001 e está sendo expandido para algumas capitais. Em Curitiba, deverá ser implementado ainda este mês.
Outra mudança no Paraná, com as medidas anunciadas pelo BB, ontem, em Brasília, será a centralização de processos de suporte operacional - como análise de operações de crédito -, antes realizados em Florianópolis (SC). Para Angst, o aperfeiçoamento do modelo de gestão tem o propósito de assegurar maior eficiência, padronização, e valorizar o cliente. Ele garantiu que não haverá demissões. Os funcionários serão realocados. (Colaborou Andréa Lombardo/Equipe da Folha)

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