BB obtém US$ 30 mi para financiar exportador
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terça-feira, 27 de agosto de 2002
Agência Estado 
Brasília Depois de mais de um mês sem conseguir captar dólares no mercado externo para repassar aos exportadores brasileiros, o Banco do Brasil recebeu ontem uma oferta de US$ 30 milhões de quatro instituições européias. O dinheiro foi prontamente aceito, segundo o presidente do BB, Eduardo Guimarães. Coincidência ou não, ele destacou que a oferta de bancos espanhóis e italianos veio um dia depois da reunião do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, com representantes dos grandes conglomerados financeiros mundiais em Nova York.
Os recursos, afirmou Guimarães, chegam num momento de total escassez de crédito das instituições estrangeiras e vão aliviar a pressão por conta de vencimentos programados para os próximos dias. ''O que perdemos de linha até agora é absorvível, mas se os vencimentos daqui até o final do ano não forem renovados a situação fica complicada'', argumentou o presidente do BB.
Esse cenário de aversão ao Brasil fez o Banco Central rever a projeção para a taxa média de rolagem da dívida do setor privado brasileiro. Em agosto, essa taxa foi de 46%, o que significa que 54% dos vencimentos estão sendo quitados pelas empresas e bancos por falta de novos financiamentos. Por causa disso, a estimativa do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, de encerrar 2002 com uma taxa média de rolagem de 70% caiu para 44% nas operações com títulos e 62% nos empréstimos.
''Isso está sendo fortemente influenciado pela volatilidade externa e interna, mas também é preciso lembrar que o fluxo de comércio caiu em relação ao fim do ano passado'', ponderou Lopes. Ele calcula que o volume de negócios do Brasil com o exterior, representado pelo total de exportações e o de importações, era de US$ 114 bilhões no período acumulado em 12 meses terminado em 2001 e caiu para US$ 104 bilhões, em agosto. ''Com isso, era natural que houvesse alguma perda de linhas comerciais'', afirmou.
Na avaliação do presidente do BB, a sinalização que foi dada ontem, após o encontro de Fraga e Malan com banqueiros em Nova York, é extremamente positiva e será determinante para realização de novos negócios, mesmo dentro do País.
''Esse é um sinal importante que nos autoriza até a ser mais agressivos internamente. Se não tenho certeza de que as linhas externas vão ser renovadas daqui para frente, fico mais cauteloso internamente para garantir a minha liquidez'', afirmou Guimarães.
Segundo ele, o BB tem participado ativamente dos leilões do BC para obter recursos e direcioná-los para exportação. A instituição também recorreu aos recursos liberados recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estoque de operações do BB direcionadas para o setor externo é de US$ 10 bilhões.


