A partir de hoje, as agências do Banco do Brasil no Paraná contam com R$ 57 milhões para financiar o custeio da nova safra. Esses recursos fazem parte da primeira liberação, de R$ 500 milhões para todo o País. A liberação foi comunicada ontem, em Curitiba, durante audiência da Superintendência do Banco do Brasil à diretoria da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaep). O encontro faz parte da programação do ‘‘Grito da Terra’’, que deve reunir hoje 1.500 agricultores. Eles vão tentar audiência com o governador Jaime Lerner.
Do total de recursos a ser liberados, R$ 9,6 milhões são oriundos do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), R$ 8 milhões do Pronaf e R$ 40 milhões da poupança. Com exceção do Pronaf, em cujo financiamento incidirão as novas taxas de juros anuais de R$ 5,75%, as outras linhas de crédito terão juros de 8,75% ao ano.
Durante o encontro na Superintendência do BB, a Fetaep reivindicou maiores recursos do Pronaf Especial. A Fetaep quer no mínimo 50 mil contratos do ‘‘Pronafinho’’ para custeio e investimentos, afirmou o assessor econômico Sergio Gutierrez.
Por meio dessa linha de crédito, reservada aos produtores com renda anual de até R$ 8.000,00, o pequeno produtor pode financiar entre R$ 500,00 e R$ 1.500,00, a 5,75%. O diferencial é que na hora de quitar o financiamento, o agricultor tem um rebate de R$ 200,00.
De um total de R$ 200 milhões do Pronafinho aplicados no ano passado em todo o País, apenas um agricultor no Paraná foi beneficiado. Além disso, a Fetaep reivindicou ainda a melhoria no atendimento de algumas agências do BB aos pequenos produtores. ‘‘Os agricultores estão reclamando que os recursos não chegam para todas as agências e os funcionários alegam desconhecimento dos programas’’, justificou. A Fetaep quer que as agências informem verbalmente ou por escrito aos sindicatos de trabalhadores rurais, ou à Fetaep, os motivos da falta de empréstimos a determinados produtores.
‘‘Essas reivindicações decorrem da preocupação com o processo acelerado de extinção da pequena propriedade no Paranᒒ, disse Gutierrez. Ele mostrou dados recentes do IBGE, divulgados no censo 95/96: quase 100 mil pequenas propriedades desapareceram nos últimos 10 anos, o que motivou a concentração fundiária e o êxodo rural. Para a Fetaep, o número do IBGE corresponde ao desaparecimento de uma pequena propriedade/hora.
Para Gutierrez, a pequena propriedade está desaparecendo por falta de de apoio financeiro e excesso de exigências dos bancos na hora de conceder um financiamento.

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