O Banco do Brasil (BB) anunciou a liberação de R$ 4 bilhões em créditos rurais para o Estado do Paraná. O crédito foi disponibilizado por meio de um convênio assinado entre o banco e o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura, juntamente com a Organização de Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Sociedade Rural do Paraná (SRP), em um evento realizado ontem, em Londrina. O valor é 20% superior à verba destinada ao financiamento do plano de safra 2003/2004.
Segundo o vice-presidente de agronegócios e governo do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, cerca de 15% do total de R$ 4 bilhões serão voltados aos pequenos produtores através do Programa Nacional de Auxílio à Agricultura Familiar (Pronaf), com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os juros variam entre 2%, para pequenos produtores, e 8,75% para agroindústrias de grande porte. ''Além do aumento do crédito, também criamos uma comissão executiva para tratar exclusivamente da agilização dos processos de liberação de crédito'', citou.
Conceição também garantiu que agricultores que estejam em dívida com o banco devido à financiamentos de safras passadas não estão impedidos de fazer novos empréstimos, ''desde que estes débitos estejam em condições normais de pagamento e que os novos empréstimos não ultrapassem o limite de crédito de cada produtor.''
O secretário estadual de agricultura, Orlando Pessuti, estima que o programa possa atender 165 mil produtores no Paraná. ''É um número satisfatório, mas esperamos conseguir ainda mais no ano que vem'', comentou. Como parte do acordo firmado no protocolo de intenções assinado com o Banco do Brasil, Pessuti explicou que o Estado se comprometeu a colocar à disposição toda a estrutura de pesquisa necessária ao desenvolvimento da agricultura. ''Em troca, o banco nos garantiu a disponibilidade dos R$ 4 bilhões exclusivamente para o Paraná'', disse.
Produtores rurais procurados pela reportagem da Folha apontaram a desburocratização como a principal vantagem do Pronaf 2004/2005. Produtor de mandioca e batata no distrito de São Luiz, Eloir Soares dos Santos comemorou a liberação rápida de um crédito de R$ 5 mil para custeio da safra. ''No ano passado pedi o empréstimo em julho e só recebi o dinheiro em outubro. Assim não adianta, a gente tem que ter o dinheiro na hora que precisa dele'', explicou. ''Desta vez foi bem mais rápido'', disse.
Os juros cobrados pelo banco também foram considerados baixos pelos produtores consultados. O produtor de soja Rodrigo Brhemer, de Londrina, deve pagar 4% ao ano sobre o empréstimo de R$ 18 mil que conseguiu para a compra de implementos agrícolas. ''Vou pagar em quatro anos. Com os juros baixos, espero ter boa lucratividade'', disse.

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