O Banco do Brasil vai liberar hoje mais R$ 300 milhões para financiar o plantio das lavouras de médios e grandes produtores. Mas, ao que tudo indica, o governo não conseguirá cumprir a promessa de aplicar R$ 8,5 bilhões no custeio da safra 1997/98.
Técnicos do próprio governo admitem que houve uma aposta muito alta na aplicação de recursos provenientes dos depósitos à vista e também da resolução 2.148, a chamada ‘‘63 caipira’’. Eles argumentam que, se o BB já estava com dificuldades para emprestar recursos externos com taxas de 12% ao ano mais variação cambial, agora, com a crise das bolsas e o aumento dos juros, essa fonte de financiamento ficou ainda menos atrativa.
No anúncio da safra feito em julho, a previsão do governo para atingir R$ 8,5 bilhões de custeio incluiu R$ 2,7 bilhões de recursos externos da ‘‘63 caipira’’. ‘‘Ainda teremos o custeio da safrinha de milho, da safra do Nordeste e também do trigo, mas será difícil atingir os R$ 8,5 bilhões’’, admitiu um técnico da área econômica. É certo que ainda falta o levantamento dos empréstimos feitos pelos bancos privados, mas, como tradicionalmente o Banco do Brasil responde por mais de 50% do crédito rural, os números indicam que a meta está longe de ser cumprida.
Com os R$ 300 milhões que serão liberados hoje e outros R$ 260 milhões para mini e pequenos produtores, o BB considera praticamente encerrada sua função nesta primeira fase do financiamento agrícola, destinando ao todo cerca de R$ 3 bilhões ao custeio. De acordo com um técnico, apesar da aposta alta do governo nas exigibilidades bancárias (parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada no crédito rural), até dois meses atrás a maioria dos bancos privados não estava atendendo o crédito rural.

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