Brasília - O Banco do Brasil anunciou ontem a liberação de R$ 2,56 bilhões para empréstimos ao setor agropecuário. Os recursos fazem parte de um pacote de R$ 27 bilhões que o banco pretende liberar para a safra 2005/2006. Entre julho de 2005 e janeiro, R$ 21,8 bilhões foram repassados aos produtores.
Além do dinheiro do BB, o setor também deve contar com cerca de R$ 5 bilhões, neste semestre, vindos dos bancos privados. Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, o valor se refere à parcela dos depósitos dos clientes que as instituições são obrigadas a direcionar ao crédito rural.
''Trata-se de um crescimento de R$ 1,7 bilhão em relação à safra passada, por causa do aumento dos depósitos à vista'', disse Wedekin. Pelas normas em vigor no país, 25% dos saldos em conta correntes devem ser aplicados em crédito rural, a uma taxa de juros de 8,75% ao ano. Ao todo, os bancos privados devem destinar R$ 20,9 bilhões à atual safra, de acordo com o Ministério da Agricultura.
Ontem, Wedekin afirmou que, tanto no caso do BB quanto no dos bancos privados, a expectativa é que as linhas de crédito se concentrem no financiamento à comercialização. Esse tipo de empréstimo serve para facilitar a estocagem, para que os produtores não tenham que vender a safra a preços muito baixos no mercado. No caso dos recursos anunciados pelo BB, já há uma divisão pré-estabelecida: R$ 1,1 bilhão para o custeio da safra (compra de insumos), R$ 1,16 bilhão para a comercialização e R$ 300 milhões para investimentos.
Além disso, algumas linhas de crédito serão direcionados a culturas específicas. Segundo o vice-presidente de Agronegócios do BB, Ricardo Conceição, R$ 300 milhões irão para os produtores de arroz, R$ 160 milhões para cooperativas de leite e R$ 100 milhões para o café.
Boa parte das aplicações do BB em crédito rural são feitas com o dinheiro captado por suas cadernetas de poupança - 40% de tudo o que o banco consegue com essas aplicações são direcionados ao setor. O BB também funciona como operador de programas do governo, em que o dinheiro emprestado sai do Orçamento da União.

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