BB libera R$ 100 mi para safra de grãos no arenito
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sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Vânia Moreira<bR> De Umuarama 
O Banco do Brasil vai liberar R$ 100 milhões para o custeio da produção de grãos e reforma de pastagens no Noroeste do Paraná. O anúncio foi feito ontem, em Umuarama, em solenidade que reuniu mais de 800 pessoas, entre autoridades, políticos e agricultores, no Centro Cultural Schubert. Além da verba específica, os produtores da região também poderão se beneficiar de outros programas de custeio agropecuário dos governos federal estadual, estimados em mais de R$ 2 bilhões para os próximos 5 anos.
Estão previstos no plano plurianual do Governo R$ 400 milhões para reformas de pastagens e R$ 300 milhões para recuperação de solos no país.
Segundo o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Ricardo Alves da Conceição, os R$ 100 milhões já estão garantidos e todas as demais linhas de créditos do banco também serão acionadas para atender os projetos que buscam a integração lavoura pecuária nos solos de arenito do Paraná.''A ordem é atender toda a demanda'', informou. Ele ressaltou, no entanto, que o processo de seleção será rigoroso. ''Somente serão aprovados projetos técnicos de produtores experientes ou responsáveis. Não haverá verba para aventureiros'', alertou. As taxas de juros, prazos de carência e de pagamento dos créditos vão variar conforme os projetos. Os quatro primeiros agricultores beneficiados assinaram os contratosde crédito, num total de R$ 160 mil, durante a solenidade.
O Governo do Estado lançou o Programa Arenito Nova Fronteira Agrícola ano passado com base em experiências do Programa de Arrendamento de Terras (Pater) criado há 4 anos pela prefeitura de Umuarama. A proposta é reformar as pastagens degradadas dos solos de arenito através do rodízio de culturas, intercalando o plantio de grãos e forrageiras, seja pelo próprio dono ou através de bolsas de arrendamento. Em 4 anos, o Pater promoveu a substituição de 100 mil ha de pastos por lavouras e quebrou o tabu de que soja não produz na areia. A região colheu na última safra 200 mil toneladas de soja, com produtividade semelhante a dos solos de terra roxa.
O secretário da Agricultura, Leonel Poloni, informou que o objetivo do programa é promover em 5 anos a integração entre lavoura e pecuária em 1 milhão dos 3,2 milhões de ha. ''Nossa meta é ter 300 mil de ha produzindo 1 milhão de t de soja por safra e 700 mil ha recuperados e produtivos reocupados pela pecuária. Segundo Poloni, o projeto envolve 108 municípios e deve gerar 35 mil empregos.
O governador Jaime Lerner também anunciou a liberação de mais R$ 100 mil para as pesquisas que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) desenvolve no arenito. O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneghete, disse que a integração no Noroeste é uma ''conspiração'' em favor da agricultura.
O prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca destacou que o cultivo de grãos já está mudando o cenário econômico e político da região. ''Há muito tempo não recebíamos tantas autoridades e tantos deputados ao mesmo tempo'', comentou. Também participaram da solenidade o secretário de política agrícola do MA, Benedito Espírito Santo, 10 deputados federais e estaduais, prefeitos e outras lideranças políticas e do setor agropecuário.


