A elevação dos juros básicos no mercado interno não impediu a liberação de recursos do crédito rural, com juros subsidiados. O Banco do Brasil liberou ontem mais R$ 92 milhões para o custeio agrícola no Estado do Paraná, já disponíveis em suas agências.
Desse total, R$ 7 milhões são destinados ao Funcafé, que vai financiar a estocagem de café. Entre julho e setembro, já foram liberados R$ 340 milhões para o Paraná, que corresponde a um aumento de 26% sobre o volume liberado no mesmo período do ano passado, que somou R$ 268,8 milhões.
Faep espera mais A expectativa é que sejam liberados R$ 800 milhões para a safra paranaense, segundo o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Jorge Proença. Segundo ele, as lideranças não temem uma redução no fluxo de recursos porque o governo federal já equalizou juros referentes a R$ 8 bilhões para o crédito rural da safra 98/99.
Para quem financiar a lavoura exclusivamente com recursos do crédito rural, a elevação dos juros no mercado não vai afetar em nada. Na avaliação de Proença, a situação vai se complicar para os produtores que tomam recursos no mercado normal, para complementar o financiamento. ‘‘Aí o agricultor terá de pagar todas as correções de crédito que estão sendo feitas’’, alertou.
Taxas menores Do total de recursos liberados ontem, R$ 33 milhões serão emprestados a juros de 5,75% ao pequeno e mini produtor rural. São recursos oriundos do Proger (Programa de Geração de Emprego e Renda) e do Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar).
A Poupança Ouro e o MCR (Manual de Crédito Rural) entram com mais R$ 48 milhões, que serão emprestados aos produtores com juros de 8,75%. O Banco do Brasil confirmou que os juros permanecem inalterados, apesar de ter feito o ajuste de 0,3% nas cotas dos Fundos de Renda Fixa para o investidor.
Segundo Proença, o produtor rural está tranquilo em relação à liberação de recursos, que este ano está transcorrendo normalmente no período indicado. ‘‘A grande preocupação é com a falta de liberação no período considerado crítico para o plantio, que é outubro e novembro’’, disse.
Para o representante da Faep, a liberação de recursos vai garantir o maior uso de tecnologia por parte dos produtores rurais, que já se conscientizaram de que o aumento da produtividade está vinculado à aplicação de tecnologia.

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