BB libera financiamento de custeio
Luciana Pombo (de Curitiba) e
Oswaldo Petrin (de Londrina)
O Banco do Brasil anunciou ontem em Curitiba e Londrina que está liberando os financiamentos de custeio da safra de verão (1999/2000) nas condições estabelecidas pelo plano de safra: 8,75% de juros, para grandes e médios produtores e 5,75% na linha Pronaf, para os pequenos. O repasse será feito em três parcelas, a partir da assinatura do contrato, e o resgate em quatro parcelas, da colheita à comercialização. O Paraná terá R$ 700 milhões, dos quais R$ 270 milhões já estão disponíveis, nas mais de 200 agências que cobrem todo o Estado.
Em Curitiba, a liberação de recursos foi anunciada durante solenidade na superintendência do Banco. O diretor de crédito agrícola, Ricardo Conceição, acrescentou que estão sendo liberados R$ 200 milhões para a comercialização do café (R$ 30 milhões para o Paraná) e R$ 100 milhões entre investimentos e EGF (R$ 13 milhões para o Paraná).
Conceição anunciou ainda a renovação automática de crédito para cerca de 15 mil produtores rurais paranaenses ligados ao Pronaf, representando recursos que poderão chegar a R$ 40 milhões. Não podemos ficar no aguardo de mais nada. Temos que começar a executar os programas do governo federal de maneira imediata, disse ele.
Durante a solenidade, foram assinados novos contratos para custeio de culturas de batata e milho e feitas renegociações de dívidas com produtores paranaenses. A questão das dívidas dos agricultores com o governo federal é a maior preocupação do Banco do Brasil, que iniciou ontem um mutirão nas suas agências em todo o País.
Segundo o superintendente, João Carlos de Mattos, cerca de 25 mil produtores rurais serão beneficiados no Paraná pelas medidas adotadas pelo governo federal no pagamento de dívidas da securitização. No Estado, as dívidas chegam a R$ 1,1 bilhão. Os produtores que renegociaram as dívidas e devem até R$ 10 mil, não pagarão suas dívidas durante os dois próximos anos. Quem tiver dívidas superiores a R$ 10 mil, pagará 20% da parcela da dívida neste ano e 30% no ano que vem.
Bom pagador Ao reunir a imprensa ontem de manhã em Londrina para dar a informação, o superintendente regional, José de Mesquita Filho, informou que a pré-condição para obter o recurso é estar em dia com o pagamento de financiamentos anteriores. Embora não transija com relação a essa condição, o Banco sempre está disposto a negociar com os mutuários em atraso, até esgotar todas as chances de reabilitá-lo.
Mas, segundo Mesquita, o índice de inadimplência no Paraná é considerado baixo: cerca de 2,5%, na safra 1998/99 (o conceito de risco do BB conta a partir de 2,7%). E na área da Superintendência do Norte do Paraná o índice é ainda mais baixo, cerca de 1,3%.
Para comparar a inadimplência rural com a do comércio, no crédito direto ao consumidor (CDC), o índice médio varia entre 6% e 7%.
Mesquita creditou este índice altamente satisfatório à conjugação de vários fatores, mas principalmente à cultura de adimplemento, isto é, à tradição de bom pagador do agricultor paranaense. E destacou que a relação entre o banco e os produtores é muito saudável.
Esses índices se referem ao financiamento da última safra. Dentro das dívidas securitizadas a diferença não é grande: 1,26% na parcela de 1997 e 2,6
% na de 1998. A inadimplência fora do Estado gira em torno de 4,6%. Nesses grupos estão incluídos contratos que ainda não esgotaram totalmente as chances de negociações.
O superintendente do BB nega que tenha havido erros no cálculo das dívidas, com cobrança de juros acima dos 12% ao ano. O que houve foi uma adequação no sistema de cálculo, mas a taxa anualizada não passou de 12%, segundo Mesquita, mas nada além do que estabelecem os contratos e a lei. Mesquita informou que o banco está à disposição dos agricultores que tiverem dívidas sobre cálculos e taxas cobradas.
Em Brasília, o Banco do Brasil publicou ontem comunicado oficial sobre estudos (da Fundação Getúlio Vargas), divulgados na imprensa, que questionam eventuais diferenças nos cálculos de renegociação ou de correção das operações de crédito rural. Segundo o banco, seus cálculos foram realizados dentro de critérios e metodologias aprovadas pelos órgãos reguladores e suas instruções e procedimentos estão de acordo com a lei.
A carta afirma ainda que já existem mecanismos que permitem atender às solicitações de cálculo de dívidas dos produtores e que o Banco do Brasil sempre esteve disposto a fornecer extratos e prestar esclarecimentos sobre pedidos de revisão contratual. O banco diz que desconhece os critérios adotados pelos estudos e refuta com veemência ilações sobre metodologia inadequada de cálculo.
Segundo a Agência Estado, a direção do BB afirma também que os recursos destinados ao financiamento rural sempre foram captados principalmente junto aos clientes. Portanto, é preciso haver coerência entre a captação e a destinação desses recursos, diz o comunicado.Dinheiro para financiar safra já está no interior. Para obter empréstimo, produtor tem de quitar dívidas anteriores
José SuassunaDINHEIRO NOVORicardo Conceição, ontem, em Curitiba: financiamento para custeio da safraPaulo WolfgangMesquita, superintendente do BB: bom pagador





