O Banco do Brasil começa a liberar ainda esta semana a linha de crédito de R$ 50 milhões com que o governo pretende comprar mais 450 mil 500 mil toneladas de milho no Sul do País para tentar a reação do mercado, principalmente no Paraná, onde os preços estão abaixo do mínimo, de R$ 6,70 por saca. Cada produtor poderá vender até 5 mil sacas de milho para o governo, por intermédio de Aquisições do Governo Federal (AGF). O Banco do Brasil recebeu orientação para apressar as operações nem que para isto reduza o nível de exigências.
Técnicos do Ministério da Agricultura lembram que a intervenção governamental na comercialização do milho na atual safra tem sido uma das mais intensas dos últimos anos. Até agora, já foram compradas 2,225 milhões de toneladas em AGF, sendo cerca de 1 milhão de toneladas em Goiás. Além disso, foram negociadas mais um milhão de toneladas para venda futura nos contratos de opção e estima-se que pelo menos mais um milhão de toneladas de milho virão para os estoques governamentais quando vencer a primeira parcela da securitização das dívidas rurais em outubro.
‘‘Apesar de o governo ter usado todos os instrumentos possíveis na comercialização, os preços ainda estão abaixo do mínimo em alguns locais de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Paranᒒ, disse um técnico. Cerca de 60% das 5,8 milhões de toneladas de milho que formam o estoque atual do governo estão nos Estados de Mato Grosso e Goiás e o Ministério da Agricultura está montando uma estratégia para conseguir escoar o produto a partir de agosto ou setembro, por meio leilões.
Tradicionalmente, os estoques de passagem do milho ficam em torno de quatro milhões de toneladas.
A concentração dos estoques no Centro-Oeste deve ficar ainda maior, pois grande parte dos contratos de opção de milho também foi feita no Centro-Oeste e também é dessa região que o governo espera a maior parte do produto que será entregue como pagamento da securitização.
Já no Paraná o efeito AGF é mais rápido e prático, segundo técnicos da Conab. O governo tem pouco estoque e as granjas de suínos e aves não carregam reserva alguma; precisam começar a fazer estoques e, portanto, disputar o mercado. A expectativa do governo é que o mercado reaja prontamente ao início das compras de milho esta semana. Se isto não acontecer o governo vai aumentar o ritmo das operações e o volume de financiamento e de milho que pretende adquirir.
Para conseguir vender o produto estocado no Centro-Oeste, o governo subsidia os compradores, oferecendo o milho por preço bem menor que o mínimo pago aos produtores na aquisição.

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