BB já comprou R$ 3 bi em crédito de outros bancos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Lorenna Rodrigues<br> Folhapress 
Lorenna Rodrigues
Folhapress
Brasília - O Banco do Brasil já comprou ou está em fase de desembolso para compra cerca de R$ 3 bilhões em carteiras de crédito de outras instituições, disse hoje o vice-presidente de finanças do banco, Aldo Luis Mendes.
O executivo afirmou que as operações deverão atingir os R$ 6 bilhões liberados do compulsório (montante que os bancos devem manter depositados no Banco Central) para esse tipo de aquisição.
Segundo Mendes, foram compradas carteiras de pelo menos dez bancos e 90% das operações são de crédito consignado, considerado um negócio seguro. Mendes negou que o governo esteja pressionando o banco a interferir no mercado para minimizar a crise.
Não temos tido nenhuma pressão no sentido de fazer isso ou aquilo. O Banco do Brasil está sendo tão seletivo quanto antes na análise do credito, nosso preço está em linha com o mercado, as carteiras são todas das mesmas áreas, afirmou.
O vice-presidente disse ainda que o BB não tem interesse em negócios diferentes dos que já faz, como a compra de construtoras. Hoje, o ministro Guido Mantega disse que a Caixa Econômica teria interesse em comprar participação em construtoras. Ele disse, no entanto, que o banco tem interesse na compra de instituições de previdência privada.
É um excelente negócio, a gente consegue levantar recursos de longo prazo e a legislação tributaria ajuda, disse.
Nossa Caixa
Mendes disse ainda que um dos efeitos imediatos da nova MP (medida provisória) que autoriza bancos públicos a adquirir instituições privadas será facilitar a compra da Nossa Caixa, que está em negociação.
Mendes negou, no entanto, que o banco queira comprar outros bancos além da Nossa Caixa e do BRB (Banco de Brasília), operações que já estão em análise.
Segundo ele, uma das dificuldades para a concretização da compra da Nossa Caixa é o fato de o governo do Estado de São Paulo não aceitar o pagamento em ações. Com a MP, o pagamento pode ser diretamente, em dinheiro, sem necessidade de emitir novas ações.
A MP reduz em 50% os desafios para comprar a Nossa Caixa. Num mercado em ascensão, poderíamos monetizar as ações, dando uma garantia de preço e de liquidez ao longo do tempo. Mas por trás disso tem uma engenharia complexa que não há a menor condição de levar adiante agora, afirmou.
De acordo com Mendes, existe ainda dificuldade em acordar um preço para a compra da Nossa Caixa. Ele ressaltou que a MP traz uma vantagem potencial para o BB no caso de novas aquisições e fusões, mas que não há nada em vista.
Não existe nenhum banco que nós estejamos olhando para comprar, além do BRB e Nossa Caixa, nenhuma seguradora, absolutamente nada. A MP é algo que dota a gente de potencial para o futuro, completou.


