BB fecha 1º semestre com lucro de R$ 287,7 milhões
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Dida Sampaio/AE
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Águas passadasCarlos Caetano e Paulo César Ximenex, diretor e presidente do BB, ontem: novo resultado positivoO Banco do Brasil fechou o primeiro semestre deste ano com um lucro líquido de R$ 287,7 milhões. O resultado apurado nos primeiros seis meses de 1997 é 12,9% superior ao obtido no segundo semestre do ano passado, quando o BB obteve um lucro líquido de R$ 254,9 milhões. A página do prejuízo está virada, declarou o presidente do BB, Paulo César Ximenes, ao anunciar o resultado positivo do banco, o segundo consecutivo depois de um megaprejuízo superior a R$ 11 bilhões acumulado no primeiro semestre de 96.
Com esse resultado positivo o BB volta a distribuir, pela primeira vez desde 94, dividendos a seus acionistas. Segundo o diretor financeiro do BB, Carlos Gilberto Caetano, o banco pagará dividendos correspondentes a 30,03% do lucro líquido, o que equivale a R$ 0,40 por lote de mil ações. Só que a distribuição de dividendos aos acionistas não ocorrerá de imediato. Primeiro o BB quer resolver uma controvérsia jurídica, surgida com a Lei 9.457, mais conhecida como Lei Kandir.
A lei determina que o dividendo de ações preferenciais deve ser 10% maior do que o dividendo atribuído às ações ordinárias. De acordo com Caetano, este dispositivo legal tem um condicionante e é exatamente isto o que está em exame no departamento jurídico do banco. Precisamos saber, com certeza, se este dispositivo da Lei das SA se aplica ao Banco do Brasil.
Na visão de Caetano, o que mais contribuiu para o lucro do banco no primeiro semestre foi a melhoria do resultado da intermediação financeira, que cresceu 39,43% em relação ao segundo semestre de 1996, devido principalmente à redução no custo de captação no mercado e do aumento de receitas de operações de crédito. Também contribuiu a redução da despesa com pessoal em R$ 261,5 milhões, equivalente a uma queda de 7,9% com relação ao semestre anterior e a recuperação de créditos, em valor superior a R$ 1 bilhão.
Caetano também destacou a melhoria do portfólio do BB, com aumento expressivo do crédito direto ao consumidor. Segundo ele, o crédito direto ao consumidor saiu de R$ 850 milhões no segundo semestre de 1996 para mais de R$ 2,9 bilhões em junho deste ano. A inadimplência, considerando as operações que venceram no primeiro semestre de 97, é de apenas 1,5%.
A inadimplência no BB, tomando por base o somatório das operações em atraso mais as operações de crédito em liquidação, ambas divididas pelo total de crédito, caiu de 17,5% no primeiro semestre de 1996 para 13,3% no segundo semestre do ano passado. Neste semestre, o nível de inadimplência ficou em 10,9%.
Os depósitos mantidos na instituição totalizavam R$ 49,271 bilhões no final do primeiro semestre. Deste total, R$ 7,6 bilhões correspondiam a depósitos à vista, R$ 13,962 bilhões a depósitos em poupança e R$ 25,645 bilhões a depósitos a prazo. Os depósitos interfinanceiros somavam R$ 2,063 bilhões.
As receitas de intermediação financeira, obtidas no primeiro semestre, foram de R$ 5,828 bilhões, o que significou um acréscimo de 3,87% em relação ao segundo semestre de 96. As despesas com esta mesma intermediação, por sua vez, caíram 6,12%, para R$ 4,112 bilhões. O resultado da intermediação financeira - receitas menos despesas - atingiu portanto R$ 1,716 bilhão, com crescimento de 39,43% ante o segundo semestre de 96.


