LISTA NEGRA BB executa agricultores inadimplentes São produtores que não pagaram parcelas de securitização vencidas em 97, 98 e 99. Governo avisa que não renegocia mais Arquivo FolhaSEM PERDÃORicardo Conceição, diretor de crédito rural do BB: prazo para renegociação acabou definitivamente Vânia Casado De Curitiba Os produtores rurais que deixaram de pagar as parcelas de securitização vencidas em 1997, 1998 e 1999 começam a ser executados pelo Banco do Brasil. Desde sexta-feira, as informações dos inadimplentes foram enviadas ao Cadim – Cadastro de Inadimplência de órgãos oficiais do governo federal, informou o diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição. Segundo Conceição, o governo permitiu a prorrogação do pagamento da parcela da securitização que vencia em 31 de outubro para 31 de dezembro de 99. Esse prazo foi dado para que o produtor tivesse acesso às vantagens concedidas como o rebate da dívida, cujas regras foram divulgadas pouco antes do vencimento da parcela. Conforme levantamento feito pelo BB, em todo o país, de um total de 1,234 bilhão de reais correspondentes às três últimas parcelas, foram regularizados 1,094 bilhão. O restante, R$ 139 milhões, está pendente no banco sem que os agricultores tenham se dirigido sequer para iniciar uma negociação. Para esses, Conceição avisa que o prazo para renegociação acabou definitivamente e agora começam a ser executados. Esses produtores só voltam a ter direito às vantagens concedidas de rebate na dívida quando acertarem as parcelas anteriores. Com relação ao PESA – Programa de Saneamento de Ativos – que equacionou a regularização das dívidas acima de R$ 200 mil, o prazo para pagamento dos juros venceu ontem. Conceição não tem um levantamento preciso, mas lembrou que muitos produtores que aderiram ao programa deixaram de pagar os juros e com isso o valor da dívida voltou ao tamanho normal, incluindo principal e juros. Quem regularizou as dívidas através do PESA adquiriu um título no valor de 10,36% da dívida e ficou com a responsabilidade de pagar os juros sobre o valor principal num prazo de 20 anos. Ocorre que esse título é inegociável e não tem valor no mercado. Portanto, o produtor que deixou de pagar os juros, voltou a ficar com a dívida normal e o título já pago por ele está imobilizado porque não tem mercado. Só será liquidado quando o produtor saldar a última parcela dos juros no prazo fixado. Sobre o Recoop – Programa de Revitalização das Cooperativas, Conceição anunciou que a intenção do BB é assinar 50 contratos de renegociação das dívidas de cooperativas até o dia 15 de março. O Paraná deve dar uma contribuição especial, disse Bruno Schauff, responsável pela condução do Recoop no BB. Segundo ele, das 33 cooperativas que tiveram seus projetos aprovados e que mantém relação com o banco, 40% a 45% estão com seus processos muito avançados. ‘‘ Alguns já estão em fase de deferimento’’, informou.