BB endurece com devedores agrícolas
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Vânia Casado 
O Banco do Brasil promete executar as dívidas dos produtores que ainda não procuraram o banco para renegociar suas dívidas. O prazo concedido aos produtores com dívidas acima de R$ 200 mil encerra no próximo dia 31 e até agora poucos procuraram o BB, informou o diretor de Crédito Rural, Ricardo Conceição, que esteve ontem em Curitiba. Em função da morosidade do processo de renegociação, o BB estendeu o prazo até 2 de novembro para as negociações que iniciarem até 31 de julho. Se até o final do mês o produtor não procurar o banco, não será beneficiado pela prorrogação, advertiu.
Ricardo Conceição e o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, participaram ontem da teleconferência sobre o Plano Agrícola e os Instrumentos de Comercialização da próxima safra, promovida pela Federação da Agricultura do Paraná e Sebrae.
Segundo Conceição, o produtor que não acertar as dívidas passadas com o BB, será considerado inadimplente e não terá direito a novos financiamentos. Ele reforçou que o produtor inadimplente será tratado conforme as regras do departamento jurídico do banco. A maior parte dos débitos está concentrada em produtores do Centro-Oeste e do Rio Grande do Sul. Ele calcula que até agora foi renegociado um quarto das dívidas existentes. De um total de R$ 4,5 bilhões em débitos acima de R$ 200 mil, apenas R$ 1 bilhão já foi equacionado. O restante ainda falta renegociar, condição para resgatar o crédito junto ao BB.
Conceição recomendou aos produtores em débito com o BB que resgatem o crédito por meio de renegociação, para que sejam beneficiados com as novas linhas de crédito que estão sendo anunciadas e outras que ainda estão em estudo. Ele antecipou que no dia 30 de julho o Conselho Monetário Nacional poderá baixar os juros para o financiamento de máquinas agrícolas. As taxas fixas poderão ser reduzidas de 14,5% para 11,95%.
Segundo Conceição, está em estudo um projeto de lei, que desonera a tributação sobre o valor de máquinas novas. Essa linha de crédito pretende estimular a renovação da frota no campo e consequentemente o sucateamento de tratores e colheitadeiras com mais de 18 anos de uso. Com a desoneração tributária, Conceição acredita que o valor das máquinas agrícolas poderá ser reduzido em até 20%.
Outra linha de crédito que está sendo anunciada é a disponibilidade do BNDES em financiar até R$ 500 milhões para compra de corretivo de solos, com juros do crédito rural de 8,75%. Na avaliação de Ricardo Conceição, esse montante de recursos é suficiente para corrigir 13% da área agricultável do País. O prazo de pagamento poderá ser de até cinco anos, com um ano de carência.


