A bola da vez da privatização é o Banespa. Aliás, o compromisso do governo era privatizá-lo até novembro do ano passado. Mas, disputas judiciais atrasaram a venda do Banco do Estado de São Paulo que, com base de ativos de cerca de R$ 25 bilhões, representa mais da metade dos ativos totais dos bancos estaduais. Após a privatização do Banespa, o governo, através do Memorando Técnico de Entendimento, de dezembro de 99, também assume o compromisso de privatizar, até o final deste ano, os seguintes bancos estaduais: o BEM, BEG, BEC, BEA, BEP e o Banestado.
Mas Júlio Miragaya afirma que, após concretizar a venda dos bancos estaduais, o governo começara a ‘‘operação desmonte’’ no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. ‘‘Infelizmente, isso será apenas uma questão de tempo. A estratégia inicial é a venda dos segmentos mais rentáveis do BB e da CEF, com o consequentemente esvaziamento destes bancos. Como não pode promover a venda direta, por temer uma mobilização nacional de protesto, o governo vai operacionalizar aos poucos esse processo, como já pretende fazer com a venda do setor de transporte da Petrobrás. É a privatização pelas pontas até a concretização desse processo. Demora alguns anos, mas o governo vai chegar lᒒ.
Para o diretor da Federação Nacional dos Economistas, o Brasil caminha na contramão da história. Ele cita a importância vital dos bancos de desenvolvimento do Japão (Industrial Bank of Japan), da Itália (Istituto Mobiliare Italiano) e da Alemanha (Kreditanstalt fur Wlederavfban – KWF), para o desenvolvimento econômico e social dos seus respectivos países. ‘‘No sudeste asiático, as instituições financeiras de desenvolvimento forneceram crédito a longo prazo para o crescimento da Coréia do Sul, de Taiwan e da Indonésia. O Banco de Desenvolvimento da Coréia (KDB) tem a função de fornecer e administrar fundos para os principais projetos industriais de interesse nacional, com ativos de US$ 35 bilhões. Mas o Brasil está entregando a sua soberania econômica para o capital estrangeiro num golpe terrível contra os interesses do País’’, crítica. (E.A.)

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