BB e CEF disputam remessas no exterior
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terça-feira, 06 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília - O Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) iniciaram uma briga pelo dinheiro dos brasileiros que moram no exterior. Menos de duas semanas após a Caixa anunciar uma solução para abocanhar uma fatia das remessa dos não-residentes no Brasil - mesmo sem ter agências no exterior nem autorização para operar com câmbio -, o BB seguiu o mesmo caminho. Com 37 unidades fora do País e mais de 200 mil pontos de atendimento aos clientes, por meio de convênios com outras empresas, o BB lançou ontem a conta eletrônica simplificada para que residentes lá fora possam aplicar suas economias no Brasil.
O que está em jogo são remessas anuais que chegam a US$ 3 bilhões, segundo cálculos do Banco Central, ou US$ 5,5 bilhões, nas estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A revisão da normas cambiais que vem sendo feita pelo Banco Central tem permitido o surgimento de produtos que reduzem o custo dessas transações, considerados elevados. No passado, a taxa cobrada chegou a US$ 50. Atualmente está, em média, em 2,5% do valor remetido.
Pelos dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 175 milhões de pessoas no mundo vivem foram dos seus países de origem e estima-se que movimentem US$ 100 bilhões por ano, quantia superior a toda a ajuda internacional a países em desenvolvimento. De acordo com o Ministério do Trabalho, 2 milhões de brasileiros vivem no exterior, o que justifica a briga pelos recursos que eles movimentam anualmente.
De olho numa fatia importante desse mercado, a Caixa já entrou com pedido no BC para operar com câmbio e também está prestes a fechar uma parceria com uma instituição internacional que reúne as caixas econômicas de vários países. Enquanto isso não ocorre, a instituição investe na conta eletrônica com remessas debitadas no cartão de crédito até o limite de R$ 10 mil. Já foram abertas 150 contas em 13 países.
O novo produto do BB é basicamente o mesmo lançado pela Caixa e permite que o brasileiro residente no exterior possa abrir uma conta corrente no Brasil, pela internet, tendo o prazo de 30 dias para enviar a documentação necessária ao banco. Além disso, será preciso que o cliente venha ao Brasil e se apresente numa agência do banco para regularizar a situação. Só depois disso será possível movimentar os recursos depositados nessa conta.
Ontem, a instituição anunciou também que, a partir de agora, qualquer pessoa que more no exterior e tenha um cartão de crédito da bandeira Visa, emitido fora do Brasil, poderá mandar até R$ 30 mil por mês para correntistas do BB no País, debitando a quantia diretamente do cartão de crédito. O custo de operação será de 2,58% do valor remetido. Hoje o BB tem 150 mil clientes pessoas físicas fora do Brasil. Desse total, 110 mil estão no Japão. Os descendentes de japoneses remeteram US$ 800 milhões para o País no ano passado. Outros US$ 800 milhões foram remetidos em 2003 por brasileiros que moram nos Estados Unidos.


