A forte alta dos juros anunciada na noite de quinta-feira pela equipe econômica do governo federal não deve afetar nem refletir nas taxas cobradas pelo crédito rural oficial. Pelo menos é o que afirmou ontem à tarde o superintendente estadual do Banco do Brasil no Paraná, Marcelino Canelada Campos. ‘‘A informação que recebemos de Brasília é de que o Plano de Safra do governo federal será mantido’’, disse Campos.
No entanto, segundo Campos, as operações de crédito do BB ontem ficaram paralisadas. ‘‘As operações de financiamentos hoje (ontem) estão temporariamente suspensas. O mercado financeiro teve um dia bastante conturbado’’, comentou. Campos afirmou que na próxima semana as operações de crédito devem se normalizar.
Segundo Campos, o volume de recursos previstos pelo Plano de Safra para a atual safra (98/99) será mantido. ‘‘O governo entende que neste momento é importante manter a produção agrícola. É uma forma evitar problemas com o déficit na Balança Comercial’’, comentou. De acordo com o Plano de Safra, o governo vai destinar na safra 98/99 R$ 10 bilhões para custeio e R$ 1 bilhão para investimentos.
Na última 4ª feira, as agências do BB no Paraná receberam mais R$ 92 milhões para o custeio da safra 98/99. Grande parte desse dinheiro ainda está no banco. Segundo Campos, nesta safra o Paraná já recebeu R$ 360 milhões do crédito rural. ‘‘Volume 26% maior que o mesmo período do ano passado’’, comentou. A previsão, disse Campos, que o Estado receba no total entre R$ 800 e R$ 900 milhões nesta safra.
As taxas de juros estabelecidas no Plano Safra também serão mantidas, conforme Campos. Para grandes e médios produtores a taxa é de 8,75% e para os pequenos produtores, que utilizam recursos do Pronaf, o juros permanece em 5,75%. Estas taxas de juros são fixas, e a diferença entre as taxas cobradas pelo mercado é subsidiada pelo governo.
Segundo a superintendência do BB no Paraná, o banco vinha captando recursos a 12% ao ano, que é o custo da poupança, e estava repassando a 5,75% ao ano na linha de crédito do Pronaf e 8,75% ao ano, no crédito agrícola. Como a poupança será elevada, em função da alta dos juros, o spread será elevado.
O governo está afirmando que os juros já contratados no crédito agrícola serão mantidos, mas a suspensão das operações de crédito foi o suficiente para preocupar a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, cujos filiados constituem o público-alvo dos financiamentos do Pronaf.
Alerta O economista do Departamento Técnico Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Adilson Ricardo, observou que se o governo assegurar as taxas previstas no Plano de Safra, a alta dos juros não deverá prejudicar o setor. ‘‘Mas queremos a garantia de que o governo vai conseguir arcar com esta equalização’’, comentou.
Ricardo alertou aos produtores que fiquem atentos na hora de solicitar recursos do crédito rural a partir de agora. Segundo o economista, muitos bancos que operam o crédito rural também oferecem outras linhas de financiamento, mas com taxas do mercado. ‘‘Também é muito comum alguns bancos oferecerem recursos com uma mescla de dinheiro do crédito oficial e outra parte com juros de mercado. Pode não valer à pena’’, alerta o técnico. (Colaborou Vânia Casado, de Curitiba

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