BB dificulta o crédito, diz Frente Parlamentar
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sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Mariângela Heredia Agência Estado Brasília 
O líder da Frente Parlamentar de Defesa da Agricultura, Valdir Colatto (PMDB-SC), e o chefe do Departamento Técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio D. Beraldo, disseram ontem que estão recebendo denúncias de produtores de que gerentes do Banco do Brasil estão condicionando a liberação de recursos do crédito à comprovação de que o agricultor tenha dinheiro ou produto depositado para pagar a primeira parcela da securitização que vence em 31 de outubro.
O superintendente-executivo da Unidade Estratégica de Negócios Rurais e Agroindustriais do BB, Biramar Nunes, admite que os gerentes das agências possam estar fazendo a exigência aos produtores, mas assegura que não há uma orientação da direção do BB nesse sentido. Alguns gerentes podem estar fazendo isso porque sabem que o risco da securitização é do banco, ponderou Nunes. Segundo ele, no dia 1º de novembro tudo o que não tiver sido pago da securitização será debitado pelo Tesouro Nacional na reserva do banco. Coloque-se no lugar do gerente, sugeriu o superintendente.
Nunes fez questão de frisar que o produtor rural passou dois anos vendendo sua safra e sem pagar nada da securitização, em função do prazo de carência dado pelo governo. Em relação à securitização das dívidas agrícolas, o deputado Colatto afirma que os bancos cometeram erros de cálculo, verdadeiros absurdos que os produtores rurais teriam detectado e mostrado ao parlamentar. O líder ruralista chega a dizer que, se houver um recálculo, sobrará dinheiro para o governo ampliar o programa de securitização e atender a um número maior de agricultores.


