Os diretores do Banco do Brasil Edson Soares Ferreira (Crédito) e João Batista de Camargo (Recursos Humanos), diretamente envolvidos com os empréstimos da instituição à construtora Encol, deixarão seus cargos. O presidente do BB, Andrea Calabi, anunciou ontem as mudanças na diretoria, mas disse que a saída dos dois diretores não está relacionada às operações que resultaram em uma dívida estimada em R$ 200 milhões da Encol, que faliu no último dia 16, com o banco. Segundo Calabi, as duas exonerações já estavam programadas.
Os empréstimos foram investigados por uma auditoria interna do BB, e os dois diretores não foram apontados como responsáveis - a auditoria atuou na agência que concedeu os empréstimos e puniu 20 funcionários. Como diretor de Crédito, Ferreira conduziu a maioria dos negócios feitos pela Encol com o BB. Camargo, segundo apurou a Agência Folha, referendou as operações como presidente interino do banco. Na semana passada, o conselho de administração do banco determinou uma nova auditoria sobre os empréstimos, desta vez com uma apuração voltada para a direção do banco.
Com a falência da Encol, o BB vai sofrer um calote, pois os pagamentos da massa falida priorizam dívidas trabalhistas, tributárias e previdenciárias. ‘‘Nada nos permite dizer que houve dolo ou má-fé desses diretores. As mudanças na diretoria do banco não ocorrerão por conta da questão Encol’’ , disse Calabi. ‘‘É deletério queimar pessoas honestas, que se dedicaram por 30 anos ao banco. Vou mudá-los, mas não por causa da Encol’’.

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