Mariângela Herédia
Agência Estado
O diretor de Crédito Rural e Negócios com o Governo do Banco do Brasil (BB), Ricardo Conceição, defendeu ontem um plano mínimo de fluxo de recursos para a agricultura. No dia anterior, ele confessou que faltou dinheiro para a produção. Conceição também pede uma definição sobre os ajustes nos encargos cobrados nos financiamentos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) para que o programa possa ser preservado. Ele anunciou que estão previstos recursos de R$ 922 milhões para os financiamentos no ano 2000, mas admitiu que os altos encargos do FCO estão assustando os mutuários.
Prova disso é que o dinheiro destinado ao Fundo em 1999 acabou sobrando: foram previstos R$ 300 milhões para os financiamentos e aplicados menos da metade dos recursos - R$ 133 milhões. Apesar de os fundos constitucionais terem sido criados para alavancar o desenvolvimento em regiões menos favorecidas, os altos encargos cobrados nos financiamentos prejudicaram a idéia original. Atualmente, os empréstimos são corrigidos pelo IGP-DI mais 8% - com rebates diferenciados nas taxas de juros dependendo do projeto - índice que hoje está mais elevado que a TJLP.
Durante todo este ano, produtores rurais e lideranças do setor debateram no Congresso uma saída para o impasse ocorrido nos fundos constitucionais, já que grande parte dos mutuários está sem condições de pagar os empréstimos. O governo encaminhou a Medida Provisória 1.988, que vem sendo reeditada sucessivamente, e agora está em discussão um projeto de conversão do senador ruralista Jonas Pinheiro (PFL-MT). ‘‘A MP em vigor hoje tem que virar lei com condições ajustadas para que o programa não seja depredado’’, opinou o diretor do BB.
Do total de R$ 1,8 bilhão de empréstimos do BB no Fundo Constitucional do Centro-Oeste existem hoje R$ 400 milhões em atraso, referentes a 83 mil mutuários, dos quais 70% da área rural. O diretor Ricardo Conceição atribui o alto volume de inadimplência ao custo elevado dos financiamentos. ‘‘A grande reivindicação do setor é de uma taxa fixa nos financiamentos’’, disse Conceição, avaliando, no entanto, que é preciso buscar uma solução satisfatória tanto para o setor produtivo como para o BB que assume os riscos das operações. Uma das saídas em estudo é de uma taxa fixa que seria reavaliada periodicamente.
O diretor fez hoje um balanço das relações do BB com o governo, principalmente em projetos da área social, destacando que houve grande avanço na simplificação de programas como o repasse de recursos a projetos educacionais e financiamento de contrapartida do projeto Refor ço à Reorganização do Sistema Único de Saúde (Reforsus), entre outros.
Safra - Segundo Conceição, a estimativa da safra 1999/2000 feita pelo banco prevê uma produção de grãos de 82 a 83 milhões de toneladas, próxima da anunciada no segundo levantamento oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 83,4 milhões de toneladas, considerada superestimada por lideranças do setor.

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