BB cria nova linha de crédito para o setor
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O setor de construção civil de Londrina vê com cautela a possiblidade de reaquecimento de seus negócios após o anúncio do Banco do Brasil (BB), que acaba de criar uma linha de financiamento com juros de 1,98% ao mês para a compra de materiais de construção. O banco deve liberar este ano cerca de R$ 200 milhões para financiamentos, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A injeção de R$ 1,2 bilhão no segmento até o final do ano, com recursos do Bradesco, Caixa Econômica Federal e do próprio Banco do Brasil, prevista pela Associação Nacional de Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco) foi contestada pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), José Roberto Hoffman.
Segundo o presidente do sindicato, a Caixa estaria reduzindo o percentual de financiamento para a construção de imóveis de 80% para 50% do valor total. ''A criação de uma linha de crédito pelo BB é, sem dúvida, uma boa notícia para a construção civil. Mas por outro lado, a redução do percentual dos financiamentos da Caixa é realmente triste''. Hoffman cobrou mais ''afinação do discurso'' do governo, por meio dos bancos federais, para a tomada de decisões desse tipo. ''Não é coerente um banco criar uma linha de crédito e o outro reduzir a sua''. A Caixa oferece os menores juros para o segmento, com taxa de 1,65% (num total de R$ 310 milhões em recursos próprios), contra 1,98% do BB (R$ 200 milhões do FAT) e 1,99% do Bradesco (R$ 150 milhões).
No entanto, a assessoria de comunicação da Caixa em Londrina informou que somente os financiamentos para a compra de imóveis usados sofreram a redução citada por Hoffman. Ainda segundo a assessoria, a redução se enquadra no programa do governo federal, que visa otimizar a utilização dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a geração de empregos.
Em Londrina, a indústria de construção civil acompanha a queda de 4% do setor no Brasil em 2003. Hoffman cita como parâmetro a queda nas vendas de cimento nas lojas do ramo, que foram de 30% desde fevereiro. ''O mercado vem se retraindo mês a mês.''


