O Banco do Brasil concluiu ontem uma operação de captação externa no valor de US$ 300 milhões, anunciou o presidente da instituição, Eduardo Guimarães. Segundo Guimarães, a operação é inédita no País. Trata-se da securitização de um fluxo financeiro, ou seja, a operação de captação do BB no mercado americano foi feita tendo como lastro o fluxo de ordens de pagamento do Japão para o Brasil, o dinheiro dos dekasseguis.
O presidente do BB disse que a operação superou as expectativas. ‘‘Inicialmente pensamos em captar US$ 250 milhões, mas a demanda foi tão grande que resolvemos aumentar’’, afirmou. Gimarães não descartou a possibilidade de o BB fazer outra operação dessa natureza. ‘‘Estamos abrindo um novo mecanismo de captação’’. De acordo com o presidente do BB, a estimativa é de que as empresas brasileiras possam captar US$ 2 bilhões no exterior.
O presidente do BB também comemorou as condições obtidas na operação, que foi coordenada pela Merrill Lynch, além do BB Securities. Todos os papéis foram adquiridos por investidores institucionais americanos que, por lei, só podem comprar papéis com ranking alto. A classificação obtida pelo BB foi triplo B plus (BBB+). A data de vencimento final do papel é 5 de agosto de 2006. Serão pagos juros trimestrais aos investidores. A rentabilidade, ao ano, para o investidor é de 8,07%.
Guimarães disse que o resultado da captação será usado, prioritariamente, para as operações de financiamento de longo prazo ao comércio exterior. O presidente do BB não disse quando ingressarão os recursos. A data do fechamento da operação é o próximo dia 10. ‘‘Os recursos entrarão no País na medida em que formos fechando operações com nossos clientes’’, argumentou. Ele também ressaltou a importância da captação, com o custo obtido pelo BB, no momento que a economia brasileira atravessa.

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